O almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares na América Latina, deixou o cargo nesta quinta-feira (16) em meio à maior ofensiva americana na região desde a Guerra Fria.
A aposentadoria precoce foi confirmada pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, e classificada como “inesperada” pelo The New York Times. Holsey permaneceu menos de um ano no comando, período em que supervisionou a ampliação das ações militares no Caribe, onde os EUA concentram cerca de 10 mil soldados, oito navios de guerra e um submarino nuclear.
Segundo o jornal, a saída do almirante coincide com divergências internas sobre os ataques a barcos civis na região.
Desde setembro, os Estados Unidos bombardearam ao menos cinco embarcações que, segundo a Casa Branca, transportavam drogas.
Vinte e sete pessoas morreram.
Entidades internacionais, como a Human Rights Watch, denunciaram as ações como “execuções extrajudiciais ilegais”.
O tema chegou ao Conselho de Segurança da ONU, e o governo da Venezuela prometeu denunciar formalmente Washington.
Fontes do Pentágono disseram ao NYT que Holsey teria manifestado desconforto com a escalada e com a autorização dada por Donald Trump (Partido Republicano) à CIA para conduzir “operações letais” contra o governo de Nicolás Maduro (PSUV).
Nos últimos dias, dois bombardeiros B-52 partiram da Louisiana e sobrevoaram a costa venezuelana em missão de “demonstração de força”.
O Pentágono também confirmou voos de helicópteros Black Hawk e Little Bird do 160º Regimento de Operações Especiais, conhecido como Night Stalkers, próximo à costa de Trinidad e Tobago.
Embora o governo americano afirme que se trata de uma operação antidrogas, oficiais admitiram ao The Washington Post que o verdadeiro objetivo é desestabilizar o regime chavista.
Trump declarou publicamente que cada barco destruído “salva 25 mil vidas americanas”, sem apresentar provas.
A movimentação militar inclui 2,2 mil fuzileiros navais em navios de assalto anfíbio e caças deslocados para Porto Rico, configurando o maior reforço bélico dos EUA no Caribe em décadas.
A saída de Holsey ocorre enquanto o presidente americano estuda autorizar ataques dentro do território venezuelano, envolvendo tropas de elite com histórico de ações no Afeganistão e no Iraque.
Especialistas ouvidos pela imprensa americana comparam a atual ofensiva à velha política de intervenções da CIA na América Latina, lembrando episódios como a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, e o golpe no Chile em 1973.
Para o governo Maduro, a renúncia de Holsey é “um sinal de fissura” dentro do comando militar dos EUA e uma prova de que a pressão internacional está surtindo efeito.
A história, porém, mostra que Washington costuma dobrar a aposta nesses momentos.
E, quando o Caribe volta a ser palco de manobras e bombardeios, a democracia latino-americana é sempre a primeira vítima.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




