Lula interrompe recuperação da popularidade após tarifaço e julgamento de Bolsonaro, diz pesquisa Quaest
A popularidade do governo Lula (PT) estabilizou em setembro, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (17).
Após sinais de recuperação em julho, impulsionados pelo embate com Donald Trump e o tarifaço dos EUA, o avanço perdeu fôlego mesmo com o julgamento de Jair Bolsonaro (PL).
Hoje, 51% desaprovam e 46% aprovam a gestão.
A avaliação do governo também se manteve estável: 31% positiva, 28% regular e 38% negativa.
O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, resume que o Planalto tem motivos para comemorar e se preocupar.
Entre os trunfos, o programa Gás do Povo já é conhecido e aprovado por 67% da população.
Notícias positivas sobre o governo cresceram de 19% em maio para 27% em setembro, enquanto o impacto de notícias negativas caiu de 52% para 45%.
O mercado de trabalho mostra sinais de melhora e 64% aprovam a defesa da soberania nacional frente aos EUA, além da aliança com os BRICS (53%).
Mas a economia segue como calcanhar de Aquiles.
Sessenta e um por cento ainda veem alta nos preços dos alimentos, e crises como a do INSS minam a imagem do governo.
A maioria (58%) acredita que o Brasil segue na direção errada, e 61% acham que Lula perdeu a conexão com o povo, atributo que historicamente lhe rendeu popularidade.
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro ampliou a percepção de que houve tentativa de golpe envolvendo militares.
Agora, 54% dizem que ele participou ativamente do plano.
Em contrapartida, o Supremo saiu fortalecido: cresceu a confiança na imparcialidade do processo (de 36% para 42%) e 52% rejeitam o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
O levantamento, encomendado pelo banco Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 12 e 14 de setembro.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança.
No balanço, Lula vê sua recuperação interrompida, Bolsonaro enfrenta rejeição crescente e o Supremo, em especial Moraes, sai fortalecido.
A política segue polarizada, mas a economia pode definir os próximos capítulos.
A Quaest promete o recorte sobre a disputa pelo Palácio do Planalto, em 2026, para amanhã (quinta, 18).
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




