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A prisão da deputada Carla Zambelli (PL-SP) pela polícia italiana, após fuga do Brasil para escapar de uma sentença de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), provocou reações imediatas no Partido dos Trabalhadores (PT), que cobra o retorno da bolsonarista ao país para cumprimento da pena.
Zambelli foi condenada por sua participação na invasão criminosa dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com hackers e articuladores ligados ao núcleo duro do bolsonarismo. Com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, a deputada teve os perfis nas redes sociais suspensos, os passaportes retidos e as contas bancárias bloqueadas, numa tentativa de impedir novas rotas de fuga.
A prisão na Itália foi confirmada após denúncia do deputado ambientalista italiano Angelo Bonelli, que revelou o paradeiro de Zambelli em Roma. “Forneci o endereço à polícia. Neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli em sua conta na rede X (antigo Twitter). Agentes confirmaram a detenção.
O presidente do PT, senador Humberto Costa, não poupou palavras ao comentar o episódio. “Mais uma bolsonarista na cadeia! A deputada Carla Zambelli acaba de ser presa na Itália”, declarou, classificando o caso como emblemático da “guerra contra o Estado Democrático de Direito” promovida pelo bolsonarismo.
Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, alertou para a gravidade da tentativa de fuga. “Zambelli representa risco concreto à aplicação da lei penal. Fugir do Brasil é fugir da Justiça”, afirmou.
O Ministério da Justiça, comandado por Ricardo Lewandowski, já formalizou o pedido de extradição às autoridades italianas. O governo Lula considera o retorno de Zambelli uma questão de Estado, para assegurar a execução da decisão do STF e reforçar o compromisso com o combate à impunidade.
Gleisi expõe tentativa de fuga de Bolsonaro com aval de Tarcísio
Por falar em fuga, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), também reagiu a outra notícia envolvendo o bolsonarismo: a tentativa frustrada de Jair Bolsonaro de sair do país com apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A denúncia foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo Gleisi, a operação visava permitir que Bolsonaro fosse aos Estados Unidos negociar pessoalmente com Donald Trump a redução das tarifas contra o Brasil e costurar, ao mesmo tempo, um suposto acordo de anistia para escapar das ações penais em curso no STF.
“É muita lambança”, criticou Gleisi em publicação nas redes sociais. “Fizeram a caca toda pensando na família Bolsonaro, e cada vez mais se afundam com as espertezas que elucubraram. Consertem o que fizeram, foi muito grave para o Brasil, para o povo brasileiro o vexame a que submeteram o país. As consequências não tardarão.”
A ministra reforçou que o governo Lula seguirá “na defesa dos interesses nacionais com responsabilidade, mas com determinação e destemor”, numa crítica direta à instrumentalização da diplomacia para fins pessoais por parte da extrema-direita.
Lenir celebra prisão de Zambelli: “Vitória da democracia, é sem anistia”
A repercussão no campo progressista ganhou mais um capítulo com a manifestação da deputada federal Lenir de Assis (PT-PR), que também comemorou a prisão de Carla Zambelli como um marco simbólico no enfrentamento aos crimes golpistas.
“A prisão de Carla Zambelli (PL-SP) é uma vitória da democracia! Condenada a 10 anos pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, a bolsonarista estava escondida na Itália. Acabou o tempo da imunidade: o cerco está se fechando para os golpistas. É sem anistia”, escreveu Lenir nas redes sociais.
Zambelli teve sua prisão decretada pelo STF no dia 5 de junho, após a Corte concluir que a deputada tentou obstruir a Justiça e ocultar provas, incluindo movimentações digitais em redes sociais e criptografia de dados obtidos ilegalmente. Desde então, figurava como foragida e constava na lista vermelha da Interpol.
Segundo a Polícia Federal, ela foi encontrada e detida em seu apartamento em Roma. A localização só foi possível após o deputado italiano Angelo Bonelli entregar o endereço às autoridades locais. Bonelli também publicou um vídeo antigo em que Zambelli empunhava uma arma nas ruas de São Paulo, como símbolo da radicalização bolsonarista. “Ela dizia que estava intocável porque tinha cidadania italiana. Isso não podia ficar sem resposta”, afirmou Bonelli à GloboNews.
A extradição de Zambelli já foi formalizada pelo Ministério da Justiça do Brasil. A prisão não é preventiva, mas definitiva, decorrente de sentença transitada em julgado. O STF determinou o início do cumprimento da pena em regime fechado, diante da fuga deliberada para escapar da Justiça brasileira.
Justiça não pode ser caricatura
O caso de Carla Zambelli escancara a tentativa de parte da extrema-direita de tratar a Justiça como inimiga e o Estado de Direito como obstáculo. Fugir para a Itália com passaporte diplomático vencido, esconder-se em apartamentos de luxo e usar a própria mãe como laranja em redes sociais são atitudes incompatíveis com o mandato popular e com a dignidade parlamentar.
Ao mesmo tempo, os indícios de articulações paralelas para garantir fuga internacional a Bolsonaro, revelados por Gleisi, lançam nova luz sobre os riscos à democracia que ainda rondam o país. O STF precisa demonstrar que não há imunidade para quem trai a Constituição.
Cabe ao Brasil, e especialmente ao Supremo Tribunal Federal, garantir que os processos de extradição e responsabilização ocorram com a firmeza exigida por sua própria jurisprudência. A Justiça não pode ser tratada como caricatura por quem atenta contra ela.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




