Roberto Requião separado por um raio de Ratinho Junior

Privatização deixa luz cara e 22% já atrasam pagamento para garantir comida na mesa

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Os brasileiros já estão sendo desafiados entre pagar a conta de luz ou garantir a compra da cesta básica, isto é, comida na mesa da família. Segundo a Folha, a luz mais cara já força 22% dos brasileiros a atrasar a conta para comprar o pão de cada dia.

No entanto, o jornalão não informa que o atual estado de coisas foi concebido pela privatização, abertura do sistema energético brasileiro à especulação nas bolsas e pela política de desinvestimentos de estatais que ainda restaram. São pautas que a velha mídia sempre hasteou como bandeiras dela própria, dos bancos e dos especuladores –interesses econômicos.

O novo modelo neoliberal consiste na ausência do Estado na geração de energia e a criação de um sistema de consumo “take or pay”, que são acordos escritos entre um comprador e um vendedor que obrigam o comprador a pagar, independentemente de haver ou não a entrega do bem ou serviço por parte do vendedor. Uma delícia para as termelétricas e companhias de água e luz, por exemplo, mas uma desgraça para os consumidores.

Não é só a conta de luz que leva as famílias brasileiras a atrasar o pagamento da fatura de fornecimento do insumo. A conta de água também virou um horror para os orçamentos familiares e, pasme, as companhias de saneamento país afora também sofreram com privatizações e especulações nos mercados de ações –sem que isso representasse um único tostão em investimentos de infraestrutura; pelo contrário, as tarifas foram reajustadas para garantir [criminosamete] maior retorno para os acionistas.

De acordo com levantamento do iCS (Instituto Clima e Sociedade), a energia corroeu ao menos 25% dos vencimentos de metade da população brasileira. As famílias cortaram compras de roupas, sapatos e comidas para garantir o pagamento da conta de luz e de água.

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Um caso emblemático é no Paraná, estado abençoado por Deus e banhado por mais de 16 bacias hidrográficas. Apesar da abundância do preciso líquido, cidades paranaenses têm mais racionamento que nos desertos do Texas (EUA) ou Saara, no Norte da África. Porém, pasme outra vez, possui um das tarifas mais caras do Brasil.

O ex-senador e ex-governador Roberto Requião (sem partido) tenta tirar vantagem da falta de gestão na Copel e na Sanepar, empresas estatais de energia e água, respectivamente, no governo Ratinho Junior (PSD). Abaixo, veja o comparativo.

Em uma entrevista ao Blog do Esmael, em dezembro de 2021, Requião disse que se eleito demitirá as diretorias das duas estatais –Copel e Sanepar– para reduzir as tarifas de água e luz, bem como congelar os preços.

Ratinho Junior, por sua vez, culpa “São Pedro” pela falta de água. No entanto, as torneiras continuam secas mesmo com os maiores índices pluviométricos na história do estado. Na semana passada, rebate Requião, teve até enchente na capital paranaense –mas a água continua faltando, a despeito de as faturas continuarem chegando com reajustes infernais.

“O mais engraçado disso é que durante o período baixo de chuvas o governo pedia pro povo racionar só que mesmo nós economizando o máximo possível, a conta sempre vinha cheia”, disse Roberto Requião, que já foi governador do Paraná por três vezes e prefeito de Curitiba.