A aprovação de Donald Trump registrou queda após a adoção de uma série de ordens executivas controversas. De acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (29), a taxa de aprovação do presidente republicano caiu de 47% para 45%, enquanto a desaprovação subiu de 39% para 46%.
A pesquisa, realizada entre 24 e 26 de janeiro, reflete a reação do eleitorado às medidas adotadas por Trump em seu retorno ao cargo, incluindo a tentativa de revogar a cidadania por direito de nascimento e a renomeação do Golfo do México para “Golfo da América”. A margem de erro da sondagem é de quatro pontos percentuais.
Entre as iniciativas mais impopulares, 59% dos entrevistados afirmaram ser contra a revogação da cidadania para filhos de imigrantes nascidos nos EUA, incluindo 89% dos democratas e 36% dos republicanos. A rejeição à proposta levou um juiz federal a bloquear temporariamente a medida, mas a Casa Branca prometeu seguir com a batalha judicial.
Outra decisão polêmica foi a tentativa de mudar o nome do Golfo do México, rejeitada por 70% da população. Apenas 25% apoiam a ideia, enquanto o restante não tem opinião formada.
A extinção de escritórios federais de diversidade, equidade e inclusão (DEI) também dividiu opiniões. A maioria (51%) se opôs à decisão, mas 44% a apoiaram, refletindo o alinhamento partidário no debate.
A saída dos Estados Unidos dos acordos climáticos de Paris também gerou resistência, com 59% da população contrária à medida. A ampliação da perfuração para combustíveis fósseis teve apoio de 76% dos republicanos, mas foi rejeitada por 81% dos democratas.
O levantamento também destacou a polarização sobre o bilionário Elon Musk, aliado de Trump. Enquanto 75% dos republicanos têm uma visão favorável dele, 90% dos democratas desaprovam sua atuação.
O custo de vida segue como uma grande preocupação. Metade dos entrevistados acredita que o país está no caminho errado nesse aspecto, contra 25% que consideram a direção correta.
Apesar da queda na aprovação geral, Trump obteve bons resultados em alguns temas. Sua abordagem sobre imigração teve apoio de 48% dos entrevistados. O congelamento de contratações no governo também agradou 49% da população, com destaque para 80% de aprovação entre republicanos.
A pesquisa sugere que a popularidade de Trump segue vulnerável a reações imediatas às suas medidas, tornando a gestão política um desafio contínuo para seu governo.
Casa Branca recua em congelamento de gastos após pressão judicial e caos social
A Branca revogou hoje (29) um polêmico memorando que congelou trilhões em empréstimos e subsídios federais. A medida, anunciada na segunda-feira (27), paralisou serviços essenciais — de saúde a segurança — e gerou pânico em entidades que dependem desses recursos.
A decisão veio horas após um juiz federal bloquear a ordem, questionando sua legalidade. O governo Trump, porém, nega recuo. Karoline Leavitt, secretária de imprensa, afirmou no X: “Não é uma rescisão do congelamento. É apenas o fim da confusão criada pela liminar.”
O memorando original, assinado pelo diretor interino do Orçamento, Matthew J. Vaeth, suspendeu repasses a programas como o Medicaid (saúde para baixa renda), creches subsidiadas e projetos de infraestrutura. A justificativa era “eliminar desperdícios” e combater o que chamou de “wokeness” e “engenharia social”.
O impacto foi imediato: sites de pagamento a hospitais e creches saíram do ar. Legisladores relataram que até programas de segurança nacional, como antiterrorismo, foram afetados. Seth Magaziner, congressista democrata, alertou: “É um presente para terroristas. Trump precisa parar essa loucura.”
Kendra Davenport, CEO da Easterseals (que atende idosos e pessoas com deficiência), descreveu o dia do anúncio como “sofrimento, pânico e medo real”. A organização, que ajuda 1,5 milhão de pessoas, ficou sem saber se receberia recursos para manter serviços.
“Podemos ter responsabilidade fiscal sem abandonar famílias”, disse Davenport, após a revogação.
Democratas celebraram a reversão. Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, declarou: “Os americanos revidaram, e Trump recuou.” Ele pediu a retirada da nomeação de Russel Vought, ligado ao “Projeto 2025” — plano conservador para reformar o governo —, para comandar o Orçamento.
A estratégia de Trump, porém, mantém sinais de tensão. O memorando revogado era parte de uma ofensiva maior: desde a posse, o republicano congelou verbas de programas climáticos e de infraestrutura de Biden. Agora, tenta ampliar o bloqueio a iniciativas com décadas de apoio bipartidário.
Enquanto a Casa Branca fala em “eficiência” e “combate à inflação”, críticos acusam o governo de atacar direitos básicos. O memorando original citava “equidade marxista” e “transgenerismo” como alvos — termos vagos, sem relação direta com a maioria dos programas afetados.
Vaeth, autor do texto, defendeu: “O dinheiro deve promover uma América mais forte, não ‘wokeness’.”
A revogação alivia a pressão imediata, mas a guerra continua. Trump mantém as “ordens executivas sobre financiamento federal”, segundo Leavitt. O conflito entre austeridade radical e proteção social promete dominar o debate em 2025, com o Supremo e o Congresso como campos de batalha.
Para famílias dependentes de subsídios, porém, o recado é claro: “Não estamos seguros”, resume uma mãe de Ohio, cuja filha com paralisia cerebral depende do Medicaid.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.