O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 41% das intenções de voto, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na pesquisa PoderData/Aya divulgada em 30 de julho de 2026. A vantagem de seis pontos supera a margem de erro de dois pontos percentuais, mas desaparece estatisticamente no segundo turno, quando Lula marca 46% e Flávio Bolsonaro, 43%.
O levantamento ouviu 2.400 eleitores em 677 municípios das 27 unidades da Federação entre 26 e 29 de julho. As entrevistas foram realizadas por telefone, com ligações para aparelhos fixos e celulares e respostas registradas pelo sistema de Unidade de Resposta Audível (URA). O intervalo de confiança é de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07845/2026.
O estudo foi financiado com recursos próprios do PoderData, empresa pertencente ao grupo Poder360 Jornalismo, e teve parceria de divulgação com o Aya Bancah. A metodologia completa informa que a amostra foi distribuída proporcionalmente por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica.
No primeiro turno, Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, seguido por Renan Santos (Missão), com 4%. Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) registram 3% cada. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 4% não souberam responder.
Na rodada anterior, divulgada em 15 de julho, Lula tinha 40% e Flávio Bolsonaro, 34%. Os dois oscilaram um ponto para cima, movimento insuficiente para caracterizar crescimento porque está dentro da margem de erro. A nova rodada confirma a vantagem numérica de Lula sem apontar mudança estatisticamente comprovada no duelo principal.
No segundo turno, os 46% de Lula contra 43% de Flávio Bolsonaro configuram empate técnico segundo o instituto. Como a diferença de três pontos permanece dentro do intervalo considerado pela pesquisa, o levantamento não permite atribuir vantagem estatística isolada ao presidente nesse confronto.
A disputa permanece bloqueada pela rejeição. Segundo o PoderData/Aya, 49% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula, e o mesmo percentual rejeita Flávio Bolsonaro. Lula é a única opção para 36% dos entrevistados e poderia receber o voto de outros 11%. Flávio Bolsonaro concentra 31% de voto exclusivo e é considerado uma possibilidade por 14%.
A igualdade na rejeição limita a capacidade dos dois nomes de transformar suas bases em maioria. Lula começa o primeiro turno em posição mais favorável, mas não carrega essa vantagem estatística para o confronto direto. Flávio Bolsonaro, por sua vez, precisa avançar além do eleitorado bolsonarista sem elevar uma rejeição que já atinge quase metade dos entrevistados.
A avaliação pessoal do presidente também divide o eleitorado. O PoderData/Aya registra 43% de aprovação ao desempenho de Lula, ante 49% de desaprovação e 8% que não souberam responder. Na avaliação da administração, 44% aprovam o governo e 50% desaprovam.
Outro recorte acrescenta uma contradição à campanha. Para 62% dos entrevistados, as propostas constituem o principal motivo da escolha eleitoral. A rejeição aos outros nomes determina prioritariamente o voto de 16%, enquanto 22% apontam outras razões.
O resultado declarado favorece campanhas capazes de apresentar diferenças concretas sobre emprego, renda, saúde, educação e segurança. A rejeição de 49% dos dois líderes, porém, mostra que a disputa negativa continuará relevante, sobretudo num segundo turno decidido por eleitores que não consideram nenhum dos nomes sua primeira escolha.
O PoderData mede preferência e motivação declarada no momento das entrevistas. A pesquisa não permite concluir antecipadamente se as propostas ou a rejeição decidirão a eleição de outubro. Ela mostra que o eleitor afirma preferir programas, mas chega ao confronto direto dividido entre dois nomes rejeitados por parcelas idênticas da população.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




