A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com buscas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal e apuração de suspeita de corrupção envolvendo agente público com foro; Blog do Esmael recebeu relatos que identificaram o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, como um dos alvos, o que leva o escândalo do Banco Master para o centro da articulação política do governo.
A Polícia Federal colocou o caso Master dentro da sala de máquinas do governo Lula no Senado.
A corporação deflagrou nesta quinta a 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que mira irregularidades no sistema financeiro nacional. Segundo a nota oficial da PF, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
A PF afirmou que a nova fase apura a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. A corporação também informou o cumprimento de medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
A nota oficial da Polícia Federal não cita nominalmente Jaques Wagner.
A identificação do senador como alvo foi ventilada nas redes sociais e na mídia corporativa. Wagner é líder do governo Lula no Senado e uma das principais peças da negociação política do Palácio do Planalto com a Casa.
Também foi apontado como alvo o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Lima é ligado ao Banco Pleno, instituição que integrou o conglomerado do Master e teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro de 2026.
O ponto político não é pequeno. Wagner não é um parlamentar pequeno na engrenagem do governo. Ele atua na ponte entre o Planalto, a presidência do Senado, líderes partidários e votações sensíveis para a agenda econômica.
Por isso, a operação desloca o caso Master de escândalo financeiro para crise de governabilidade.
A investigação agora entra no terreno onde se negociam Banco Central, regras do sistema financeiro, crédito consignado, fundos públicos, medidas provisórias e votações de interesse direto do mercado.
A PF afirmou que os fatos investigados podem caracterizar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A expressão “em tese” é juridicamente decisiva. Busca e apreensão não é denúncia, denúncia não é condenação, e investigação não elimina o direito de defesa.
Mas a consequência política é imediata.
O caso Master já havia atingido nomes da direita, do Centrão e da cúpula do Congresso. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser pressionado após revelações sobre pedidos de recursos a Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de fase anterior da Compliance Zero. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, entrou no noticiário depois de a PF apontar despesas de viagem pagas por Vorcaro, o que ele diz encarar com tranquilidade.
Agora, com Jaques Wagner no centro da nova fase, o caso impõe uma régua de simetria.
A pergunta deixa de ser “quem será atingido?” e passa a ser “quem defenderá apuração integral quando o alvo muda de lado?”.
Esse é o teste político da semana.
Para o governo Lula, o impacto é duplo. Primeiro, porque Wagner é operador institucional no Senado. Segundo, porque a oposição tentará transformar a busca em munição eleitoral para 2026, mesmo antes de denúncia formal ou decisão condenatória.
Para a oposição, o risco também existe. Se o Master virou uma rede de relações com políticos de diferentes campos, a exploração seletiva do escândalo pode voltar contra quem tenta usar a PF como palanque de ocasião.
No Paraná, a operação deve atravessar a pré-campanha de 2026.
O campo bolsonarista e lavajatista tende a usar a busca contra Wagner para atingir Lula e o Partido dos Trabalhadores. O problema é que o mesmo caso já produziu constrangimentos para Flávio Bolsonaro, para aliados do Centrão e para personagens que orbitam a direita nacional.
Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) terão de escolher entre dois discursos. Ou defendem investigação completa, sem blindagem para nenhum campo político, ou fazem do Master uma ferramenta de conveniência eleitoral.
O mesmo vale para o governismo no Paraná. Defender apuração sobre Flávio Bolsonaro e silenciar quando o alvo é Wagner enfraquece a tese da simetria. Defender investigação com prova, contraditório e cadeia documental preserva a linha institucional.
O caso Master virou uma bomba de método.
Se a política tratar a investigação como arma de torcida, o escândalo será moído pela guerra eleitoral. Se a apuração seguir a prova e o dinheiro, o país poderá entender como um banco liquidado pelo Banco Central conseguiu construir conexões no Congresso, no sistema financeiro e nas bordas do poder.
A nova fase da Compliance Zero mostra que o Master não pertence a uma trincheira.
Pertence ao mapa de relações entre dinheiro, influência e regulação pública.
É nesse mapa que governo, oposição, Centrão e mercado terão de responder à mesma pergunta: quem financiou, quem intermediou, quem recebeu, quem protegeu e quem fechou os olhos?
Acompanhe a cobertura completa no Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




