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Cadê a pesquisa Veritá que sumiu do sistema do TSE?

O registro PR-03335/2026, aberto pelo Instituto Veritá para medir as disputas pelo Governo do Paraná e pelas duas vagas ao Senado, deixou de aparecer no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) neste sábado, 11 de julho. A pesquisa poderia ser divulgada a partir de domingo, 12 de julho, mas o desaparecimento abriu uma pergunta no mundo político: cadê o levantamento? Ninguém sabe, ninguém viu.

Na noite de sexta-feira, 10 de julho, o Blog do Esmael revelou o registro da nova pesquisa. O documento previa 2.010 entrevistas entre 7 e 11 de julho, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento, orçado em R$ 154.770, seria financiado pelo próprio instituto.

O desaparecimento exige explicação porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que os dados registrados no PesqEle ficam disponíveis para consulta pública por 30 dias. A regulamentação também determina que o sistema veicule as informações do registro nos portais da Justiça Eleitoral durante esse período.

Não se sabe se o Instituto Veritá pediu o cancelamento, decidiu corrigir a metodologia, desistiu de divulgar os resultados ou se ocorreu uma falha no sistema. Também não há informação pública identificada pelo Blog sobre a abertura de outro registro para substituir o PR-03335/2026.

O caso ganhou uma importância política que não estava visível na primeira publicação. O diretório estadual do PSD havia ajuizado uma representação no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para impedir a divulgação da pesquisa.

A ação, registrada sob o número 0600475-43.2026.6.16.0000, questionou duas partes do plano amostral. O PSD apontou uma suposta contradição entre o uso do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os dados do eleitorado do TSE de junho de 2026. Também alegou que as fontes utilizadas para escolaridade e nível econômico foram apresentadas de forma genérica.

A desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani negou o pedido de suspensão na tarde de sexta-feira. A magistrada concluiu que as alegações exigiam análise técnica e contraditório, pois não havia demonstração imediata de fraude, manipulação ou descumprimento formal grave. A decisão deixou claro que a regularidade da pesquisa ainda poderia ser examinada no julgamento definitivo.

Portanto, o desaparecimento do registro não pode ser atribuído à liminar pedida pelo PSD. A Justiça Eleitoral rejeitou justamente a retirada imediata da pesquisa e manteve, naquele momento, a divulgação autorizada para 12 de julho.

A sequência aumenta a cobrança por transparência. O registro estava disponível, foi contestado judicialmente, teve a suspensão negada e, poucas horas depois, deixou de aparecer na consulta pública. Sem uma manifestação do instituto ou do TSE, não é possível concluir se houve desistência, correção ou problema técnico.

As perguntas são objetivas. O Veritá concluiu as 2.010 entrevistas previstas? Os resultados foram processados? O instituto pediu a retirada do registro? A pesquisa será divulgada em 12 de julho? Haverá um novo número no PesqEle? O desaparecimento tem relação com as inconsistências apontadas pelo PSD?

O silêncio também produz consequência eleitoral. Rafael Greca (MDB) aparecia no questionário do Veritá no primeiro turno e em confrontos de segundo turno contra Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT). Sem a publicação, o ex-prefeito perde um levantamento que poderia medir sua capacidade de chegar ao segundo turno e sustentar uma candidatura própria.

Cristina Graeml (PSD) sofre efeito semelhante na disputa pelo Senado. O Veritá havia incluído seu nome em todas as perguntas estimuladas para o primeiro e o segundo voto. A Paraná Pesquisas divulgada em 7 de julho, diferentemente, colocou Cristina em apenas uma das três combinações apresentadas aos eleitores.

Se o recuo persistir, Greca e Cristina perdem o protagonismo que o questionário lhes reservava. Não significa que perderam votos, porque nenhum resultado foi divulgado. Significa que deixam de contar com uma medição que poderia alterar negociações partidárias a poucos dias das convenções, marcadas para o período de 20 de julho a 5 de agosto.

Pesquisa eleitoral não é propriedade privada quando registrada para divulgação pública. O instituto produz os números, mas partidos, pré-candidatos, imprensa e eleitores têm direito de conhecer o destino de um levantamento que entrou no sistema oficial, motivou uma ação judicial e desapareceu antes da data anunciada para publicação.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das pesquisas eleitorais, das chapas ao Governo do Paraná e da disputa pelas duas vagas ao Senado.

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