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Perseguição no PR: Fuga em pedágio escancara dilema — quem pesa mais no bolso, o sistema ou o infrator?

A cena registrada pelas câmeras da Polícia Rodoviária Federal (PRF) parece saída de filme: um veículo furtado rasga o asfalto em alta velocidade, arrebenta cancelas de pedágio e some no matagal da Região Metropolitana de Curitiba. O episódio, ocorrido no dia 14 de junho, voltou à tona nesta semana e expõe uma velha ferida paranaense: o pedágio nas rodovias e seu impacto direto no bolso e na mobilidade da população.

O Blog do Esmael deixa claro: não se defende aqui o crime de furto ou a fuga irresponsável pelas estradas. O debate central é outro: a pertinência — ou a impertinência — do pedágio como solução econômica para as rodovias do estado.

Enquanto o suspeito segue foragido, os paranaenses enfrentam outro tipo de cerco: o retorno oficial da cobrança de pedágio em 11 praças do Paraná, iniciado no sábado (28). As tarifas variam de R$ 11,80 a R$ 17,40 para veículos leves e podem ultrapassar R$ 139 para caminhões, conforme o trecho e o porte do veículo.

Veja onde o pedágio voltou a ser cobrado:

Lote 3 (Campos Gerais ao Norte do PR – CCR PRVias)

  • Witmarsum/Palmeira (BR-376, km 529) – R$ 12
  • Tibagi (BR-376, km 448) – R$ 12,80
  • Imbaú (BR-376, km 370) – R$ 12,80
  • Ortigueira (BR-376, km 316) – R$ 12,80
  • Sertaneja (PR-323, km 3) – R$ 11,80

Lote 6 (Centro ao Oeste e Sudoeste do PR – EPR Iguaçu)

  • Prudentópolis (BR-277, km 302) – R$ 16,70
  • Candói (BR-277, km 388) – R$ 16,20
  • Laranjeiras do Sul (BR-277, km 464) – R$ 15,20
  • Cascavel (BR-277, km 568) – R$ 15,10
  • Céu Azul (BR-277, km 620) – R$ 15,20
  • São Miguel do Iguaçu (BR-277, km 704) – R$ 17,40

Motocicletas, ambulâncias e veículos oficiais estão isentos, mas para o cidadão comum, a fatura chegou — e com força.

Brecht, o pedágio e o verdadeiro peso no bolso

A provocação do dramaturgo Bertolt Brecht nunca foi tão atual: “Quem é mais ladrão? Quem rouba um banco ou quem o funda?” Transportando para as estradas do Paraná: quem pesa mais para o cidadão? O motorista que fura o pedágio ou o próprio sistema que o impõe, em meio a críticas e contratos bilionários?

As concessões dos lotes 3 e 6, entregues à CCR PRVias e EPR Iguaçu, prometem investimentos e melhorias, mas também trazem tarifas elevadas, desconfiança e debates sobre transparência.

As rodovias envolvidas são estratégicas, conectando desde a fronteira com o Paraguai e a Argentina até o Porto de Paranaguá, vital para o escoamento da produção paranaense.

Desconto só para quem paga sempre e usa TAG

Para tentar amortecer o impacto, as concessionárias oferecem o Desconto Básico de Tarifa (DBT) e o Desconto de Usuário Frequente (DUF), exclusivos para quem instala TAG eletrônica de pagamento automático. Os benefícios, que podem chegar a 98% no Lote 6, soam vantajosos no papel, mas restringem-se aos motoristas habituais.

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Crime é crime, mas exploração também pesa

O Blog do Esmael condena o furto de veículos e a fuga irresponsável, que colocam vidas em risco e merecem resposta rigorosa das autoridades. Mas não fecha os olhos para outra realidade: o pedágio, tal como estruturado no Paraná, há décadas divide opiniões, gera indignação e impacta diretamente o custo de vida, o transporte e a economia.

A perseguição nas estradas pode ter acabado em matagal, mas a perseguição ao bolso do paranaense continua — com data, hora e tarifa marcada.

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