O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) divulgou uma pesquisa com 2.330 profissionais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sobre a presença do pescado na merenda. O levantamento mostra que o peixe já chega às escolas, mas ainda enfrenta custo, espinhas e falta de hábito alimentar.
O estudo foi feito em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A pesquisa também se conecta ao Programa Povos da Pesca Artesanal, criado pelo Decreto Federal 11.626, de 2023.
Entre os nutricionistas responsáveis técnicos, 64% disseram que o pescado ainda não é servido nas unidades sob sua responsabilidade. Entre as merendeiras, esse índice foi de 46%, o que indica espaço para ampliar a oferta dentro do PNAE.
As barreiras aparecem com clareza. Entre as merendeiras, 54% citaram as espinhas como principal dificuldade. Entre os nutricionistas, custo e espinhas empataram em 50%.
A falta de hábito alimentar também pesou. Metade das merendeiras apontou esse fator, junto com a necessidade de fornecedores locais, aceitação dos estudantes e equipamentos adequados para preparo.
O relatório mostra ainda diferença no apoio técnico. Entre as merendeiras, 38% disseram receber suporte suficiente. Entre os nutricionistas, o índice caiu para 24%.
Na prática, a tilápia lidera os cardápios, seguida por sardinha, atum e cação. O preparo mais comum é o filé assado, formato que facilita a rotina das cozinhas escolares.
Preparações como hambúrguer, almôndega e pão de peixe ainda são pouco usadas. Segundo a pesquisa, 67% das merendeiras e 56% dos nutricionistas disseram não recorrer a essas opções.
O recorte regional também ajuda a entender o quadro. Acre, Rondônia e Amapá aparecem com os maiores percentuais de oferta, enquanto Minas Gerais registra o menor índice, por não ter litoral e tradição pesqueira menor.
O relatório reforça que ampliar o pescado na escola depende de preço, logística, capacitação e adaptação do cardápio à realidade local. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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