Índice de Tópicos
A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (27) a PEC das Prerrogativas (PEC 3/21), conhecida como PEC da Imunidade Parlamentar, que muda o artigo da Constituição sobre as regras de proteção aos deputados e senadores.
Na prática, a proposta limita a prisão em flagrante de parlamentares apenas a casos de crimes inafiançáveis, como racismo, crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e ataques de grupos armados contra a ordem democrática.
O que muda com a PEC
A proposta nasceu em 2021, após a prisão do deputado Daniel Silveira, determinada de forma monocrática pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Pela nova regra:
- um único ministro não poderia decretar prisão cautelar de deputado ou senador;
- prisões só poderiam ocorrer em crimes listados na Constituição;
- medidas de afastamento cautelar, como ocorreu com Eduardo Cunha em 2016, ficariam proibidas;
- ações de busca e apreensão em gabinetes ou residências de parlamentares só poderiam ser autorizadas pelo STF;
- a inelegibilidade (perda do direito de disputar eleições) só se aplicaria após julgamento em segunda instância.
Ou seja, a PEC cria um escudo institucional para parlamentares, reforçando o poder da Câmara e do Senado diante do Judiciário.
E o caso Bolsonaro?
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não seria beneficiado. Isso porque ele já não é deputado nem senador e, portanto, não tem direito às prerrogativas previstas.
Os processos contra Bolsonaro estão no STF por outra razão: eles começaram na Corte quando ele ainda era presidente, com foro privilegiado. São as chamadas ações originárias, que continuam lá por decisão dos ministros, já que estão ligadas a investigações maiores sobre a tentativa de golpe.
Portanto, a PEC da Imunidade não altera o destino de Bolsonaro no Supremo.
Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli podem ser blindados
Para os filhos e aliados de Bolsonaro que ainda têm mandato, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a deputada Carla Zambelli (PL-SP), a situação é outra.
- Se forem flagrados em corrupção ou caixa dois → não poderiam ser presos, porque esses crimes não estão na lista de inafiançáveis.
- Se houver afastamento cautelar pelo STF → a PEC proibiria, reforçando que só a própria Câmara pode decidir.
- Se houver busca e apreensão em gabinetes → apenas o STF poderia autorizar, evitando juízes de primeira instância.
Na prática, a PEC dá mais tempo e margem de manobra para deputados investigados, blindando-os contra medidas urgentes da Justiça.
Foro privilegiado e a segunda PEC
A PEC 3/21 também confirma interpretação já adotada pelo STF: o foro privilegiado só vale para crimes cometidos durante o mandato e relacionados às funções parlamentares. Outros crimes devem ir para a primeira instância.
Além disso, outra proposta em tramitação, a PEC 333/17, pode mexer ainda mais no foro privilegiado, restringindo ainda mais sua aplicação. Isso abre caminho para que investigações contra deputados como Eduardo e Zambelli desçam para juízes na primeira instância.
Entenda o jogo
Pense que os deputados e senadores jogam futebol. A PEC é como uma regra que diz: eles só podem ser expulsos do jogo se cometerem as faltas mais graves. Para todas as outras, mesmo sérias, só o time deles (Câmara ou Senado) pode decidir se continuam ou não jogando.
- Bolsonaro pai: já saiu do campo, então não ganha esse escudo.
- Eduardo e Zambelli: continuam jogando, e a PEC dá a eles um escudo extra contra expulsão imediata.
- Foro privilegiado: é o juiz especial que apita esse jogo; outra PEC pode trocar o juiz por um árbitro comum.
Casos Eduardo e Zambelli
A PEC da Imunidade é apresentada como defesa da democracia, mas carrega o risco de virar uma blindagem institucional contra a Justiça. Bolsonaro, que já está no STF por processos originários, não será beneficiado. Mas seus filhos e aliados no Congresso, como Eduardo e Zambelli, podem ganhar um escudo jurídico e político em meio às investigações que enfrentam.
Siga o Blog do Esmael para receber atualizações em tempo real.
Leia também no Blog do Esmael: Câmara retoma discussão da PEC da Imunidade nesta sexta (26); Presidente da Câmara se mostra magoado com PT em áudio vazado [ouça]; Entenda a imunidade parlamentar e quando há processo

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




