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Paulinho da Força, o Senhor da Guerra, será relator da anistia em nome da “pacificação”

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator do PL 2162/23, que concede anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O anúncio foi embalado pelo discurso de “pacificação nacional”, mas a escolha desperta ceticismo: nos últimos meses, Paulinho publicou uma série de vídeos em que atacou Lula (PT) e chegou a sugerir ruptura com o presidente.

Paulinho parecia mais Senhor da Guerra do que Senhor da Paz, ao contrário do que fez crer o presidente da Câmara.

No entanto, Motta afirmou que Paulinho terá “equilíbrio” para conduzir o relatório.

A urgência do projeto foi aprovada por 311 votos a 163, o que permite votação direta em plenário, sem análise nas comissões.

O texto original, de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), prevê anistia ampla para crimes de motivação política ou eleitoral.

Nos bastidores, porém, líderes tentam costurar uma versão que reduza penas em vez de simplesmente apagar responsabilidades.

Os vídeos de Paulinho da Força, publicados em suas redes e repercutidos no Blog do Esmael, mostram outro tom.

Ele cobrou a demissão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acusou Lula de ignorar a inflação e declarou que “nunca mais apoiaria” o presidente.

Tal histórico destoa da tarefa de construir pontes e buscar consenso.

Parlamentares da esquerda reagiram com críticas à anistia.

Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou os defensores da proposta de “cúmplices de golpe de Estado continuado”.

A líder do Psol, Talíria Petrone (RJ), lembrou que a anistia de 1979 reforçou a impunidade de militares e advertiu que não se pode repetir a história.

Já opositores como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) defendem o perdão como instrumento de reconciliação.

O relator, entretanto, entra pressionado: precisa mostrar que não age como adversário político, mas como mediador.

O Brasil já viu onde termina a lógica da impunidade, segundo governistas: no estímulo a novas aventuras autoritárias.

Entregar a relatoria a um líder sindical e parlamentar que acusa Lula de todos os males pode soar como gesto de conciliação, mas parece mais cálculo político para apaziguar setores da oposição.

A verdadeira pacificação não virá de discursos contraditórios, e sim da afirmação da democracia com responsabilidade e justiça.

Acompanhe no Blog do Esmael a tramitação do PL da Anistia e os bastidores da política em Brasília.

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