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Oposição promete travar Ratinho Júnior e barrar privatizações em 2026

A oposição do Paraná decidiu transformar 2026 em um ano de confronto direto com o governo de Ratinho Júnior (PSD), prometendo barrar novas privatizações, desgastar o Palácio Iguaçu e empastelar a pré-candidatura presidencial do governador. Pequena em número, mas aguerrida, a bancada oposicionista na Assembleia Legislativa aposta em embates institucionais, denúncias e mobilização social para ampliar seu peso no jogo nacional.

O endurecimento ocorre em um momento politicamente sensível. Em primeira mão, o Blog do Esmael antecipou pesquisa Quaest que colocou Ratinho Júnior três pontos à frente do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). A inflexão, porém, passou a ser do governador de São Paulo, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se lançar candidato da direita à Presidência da República, com a bênção do pai, Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A entrada de Flávio Bolsonaro no tabuleiro fragmentou a direita, deslocou o eixo da disputa presidencial e reduziu o espaço político de Tarcísio, enquanto Ratinho Júnior tenta se manter competitivo fora do radar direto do bolsonarismo raiz. Esse rearranjo, a princípio, vitamina a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder absoluto nas pesquisas e com chances reais de vitória em primeiro turno.

Nesse contexto, cada desgaste local de Ratinho Júnior passa a ter repercussão nacional. É exatamente aí que a oposição paranaense pretende atuar. O líder da oposição na Alep e presidente do PT-PR, Arilson Chiorato, elevou o tom ao afirmar que o modelo de privatizações do governo estadual “coloca o Paraná nas mãos do crime organizado”, ao fragilizar controles públicos e abrir brechas em processos de concessão considerados pouco rigorosos.

Ratinho Júnior vê sucessão se complicar com risco de racha, enquanto Moro enfrenta ameaça de debandada e operação da PF.
Ratinho Júnior vê sucessão se complicar com risco de racha, enquanto Moro enfrenta ameaça de debandada e operação da PF.

O caso mais grave envolve o Porto de Paranaguá. Segundo Arilson, o Grupo FTS venceu três leilões promovidos pelo Governo do Estado. Em um deles, arrematou um terminal por R$ 1 milhão e o repassou posteriormente por R$ 36 milhões a uma empresa investigada por ligação com o PCC, conforme informações da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal divulgadas pela imprensa. Para o deputado, o episódio evidencia falhas graves de governança e exige mais rigor, transparência e responsabilidade nos processos de concessão conduzidos pelo Executivo.

A crítica ao projeto privatista se soma ao desgaste da Copel após a venda concluída em 2024. Dados citados pela oposição mostram que o número de reclamações contra a empresa na Agência Nacional de Energia Elétrica saltou de 2.706, em 2024, para 3.718 até novembro do ano seguinte, um aumento de 37%. As interrupções no fornecimento lideram as denúncias. No ano passado, a companhia já figurava entre as três piores do país em qualidade do serviço. Diante desse cenário, PT, outros partidos, movimentos sociais e entidades sindicais lançaram um projeto de iniciativa popular para cancelar a privatização e reestatizar a empresa, iniciativa que exige 90 mil assinaturas.

PT-PR promete reestatizar a Copel em 2026
PT-PR promete reestatizar a Copel em 2026

A Celepar segue como símbolo central do embate político. A oposição sustenta que a tentativa de privatização coloca em risco a soberania digital do Estado e expõe dados sensíveis de milhões de paranaenses. A estatal é responsável por sistemas estratégicos nas áreas de saúde, educação, segurança pública e arrecadação. A suspensão do processo pelo Tribunal de Contas do Paraná reforçou a narrativa de que o governo não apresentou estudos técnicos aprofundados nem garantias jurídicas suficientes para levar a venda adiante.

O confronto avançou também para a área da educação. Por iniciativa do mandato do deputado federal Tadeu Veneri (PT), o Conselho Tutelar da Regional Portão abriu apuração sobre possível violação de direitos de crianças e adolescentes no Colégio Estadual Cívico Militar João Turin, em Curitiba. Alunos foram filmados marchando e cantando música com apologia à violência, sob coordenação de monitores militares. A denúncia foi encaminhada à Vara da Infância e da Juventude e ao Ministério Público Estadual, e o Conselho realizará visita institucional para verificação dos fatos e eventual aplicação de medidas de proteção. Para Veneri, o episódio afronta o artigo 227 da Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que não ampara o modelo militarizado de ensino.

Privatização do Paraná: Quem ama, vende?
Privatização do Paraná: Quem ama, vende?

No plano eleitoral, o campo progressista começa a desenhar um novo cenário para 2026. O PT-PR confirmou apoio ao deputado estadual Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná e indicou Enio Verri (PT), diretor-geral da Itaipu Binacional, para a disputa ao Senado, reforçando a construção de uma frente ampla, democrática e alinhada ao projeto nacional de Lula. A articulação busca derrotar o modelo privatista implantado no Estado e recolocar o interesse público no centro das decisões.

A leitura da oposição é direta e estratégica. Ao conectar privatizações, piora de serviços essenciais, riscos institucionais, educação militarizada e suspeitas em concessões, o objetivo é travar a agenda do Palácio Iguaçu no Paraná e elevar o custo político da aventura presidencial de Ratinho Júnior. A disputa de 2026 já começou, e na Alep promete ser intensa, barulhenta e decisiva.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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