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Ratinho Junior acelera migração ao lavajatismo no Paraná

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O governador do Paraná Ratinho Junior (PSD) troca o bolsonarismo pelo lavajatismo enquanto empurra privatizações, obras de alto impacto e um licenciamento ambiental mais flexível, sob blindagem na Alep e olho em 2026. O movimento ficou claro no ato de filiação de Paulo Martins ao Novo, com Deltan e Zema, e reposiciona o eixo de poder no estado.

Ratinho Junior costeia o alambrado do Novo, enquanto o PSD de Gilberto Kassab se aproxima do Planalto e reconhece o favoritismo de Lula para 2026, sem anunciar apoio formal.

Os temas recorrentes aqui no Blog do Esmael também foram abordados pelo jornal Folha de S.Paulo.

Obras, privatizações e a lógica do “passar a boiada”

A virada econômica do governo se deu com a transformação da Copel em corporation, aprovada em sessões aceleradas na Alep em novembro de 2022, com redução da participação estatal e capital pulverizado. A sequência inclui a desestatização da Ferroeste e a privatização da Celepar, ambas levadas em regime de urgência e cercadas de questionamentos técnicos e políticos.

Litoral como vitrine e campo de batalha

No litoral, Ratinho aposta em obras de alto impacto, do alargamento de Matinhos à ponte de Guaratuba. A chamada Faixa de Infraestrutura, corredor de 25 km com rodovia, gasoduto e ramal ferroviário para servir um porto privado em Pontal, virou caso de Justiça, com decisões alternadas e críticas do Ministério Público por supressão de Mata Atlântica e consulta insuficiente a comunidades tradicionais.

Educação sob choque: terceirização, cívico-militar e guerra de comunicação

O Programa Parceiro da Escola terceiriza a gestão administrativa de colégios e detonou a maior crise do mandato, com greve, confronto na Alep e pedido de prisão da presidenta da APP-Sindicato pela PGE. Em paralelo, o governo expandiu a rede cívico-militar para mais de 300 unidades em 2024 e usou disparos em massa para atacar o movimento docente, em vídeo sem assinatura enviado a pais pelo mesmo canal oficial, objeto de apuração do MP.

Segurança: queda geral, mas alerta com letalidade policial

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram o Paraná com 18,4 mortes violentas por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, mas com participação maior das mortes por intervenção policial, quadro que exige transparência e controle externo sobre a força letal.

Política em modo campanha

A guinada ao lavajatismo rende palanque nacional e arruma a casa para 2026. A presença de Ratinho em um evento do Novo na capital paranaense, ao lado de Zema e Deltan, sinaliza um alinhamento com o discurso punitivista e pró-mercado, testando pontes com Sergio Moro (União). No tabuleiro federal, a Datafolha mais recente mostra Lula numericamente à frente de Tarcísio e de Ratinho no 2º turno, mas em disputas apertadas, o que explica a cautela e a ambição do governador.

A comparação com Brasília expõe o contraste: enquanto o Paraná flexibilizou o licenciamento e acelerou projetos polêmicos, Lula sancionou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental com 63 vetos para preservar salvaguardas, prometendo novo PL e MP para tapar lacunas. Na Alep, a maioria governista costuma impor urgência em matérias sensíveis, como a mudança do controle da Copel, reduzindo o debate público.

Do bolsonarismo para o lavajatismo

Ratinho Junior concentra decisões, financia a vitrine com privatizações e acelera obras que dependem de licenciamento mais flexível. A escola pública torna-se laboratório de gestão terceirizada e do modelo cívico-militar. A guinada ao lavajatismo reorganiza palanques e narrativa, mas preserva o núcleo do projeto, menos contraditório e mais pressionador de direitos socioambientais. Em 2026, o eleitor terá de pesar, quem é beneficiado, a proteção da Mata Atlântica e a comunidade escolar ou os contratos e a campanha?

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