Oposição cerca Ratinho na Alep com água, câmeras, salários

O líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), deputado Arilson Chiorato (PT), concentrou a movimentação mais recente da bancada em temas que batem direto no governo Ratinho Junior (PSD): o programa Olho Vivo, a tarifa de água, o preço dos combustíveis e a recomposição dos servidores. A estratégia do oposicionista é empurrar o Palácio Iguaçu para a defensiva em áreas de bolso, transparência e gestão.

A frente mais ruidosa mira o Olho Vivo. Chiorato protocolou denúncia no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) com pedido de suspensão imediata do programa, sob alegação de possível favorecimento à empresa Paladium Corp, ausência de licitação, falta de transparência e risco à proteção de dados pessoais. O material também registra a cobrança pela derrubada do sigilo imposto ao processo no mesmo dia da denúncia, além da referência a um custo que pode ultrapassar R$ 1 bilhão.

A segunda trincheira está na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A Oposição pressiona para que os R$ 4 bilhões obtidos pela empresa em ação contra a União sejam usados para reduzir a tarifa de água, e não apenas para atender interesses dos acionistas. O tema ganhou mais peso com a abertura de consulta pública e audiência na Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar).

Na mesma linha, a bancada tenta colar no governo a conta dos combustíveis. Segundo o material, os deputados cobram a redução a zero do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre gasolina, diesel e etanol, enquanto o deputado Requião Filho (PDT) acionou o Ministério da Justiça para apurar possíveis aumentos abusivos no Paraná.

O bloco oposicionista também abriu outra frente no funcionalismo. O deputado Professor Lemos (PT) cobra o pagamento da data-base e a recomposição salarial, enquanto a deputada Ana Júlia Ribeiro (PT) questionou a jornada de trabalho do governador no debate sobre o fim da escala 6×1. Aqui, a intenção política é clara: empurrar Ratinho para uma cobrança diária sobre valorização do serviço público.

Devido à pressão, a ALEP aprovou nesta terça-feira (31) propostas voltadas ao funcionalismo público estadual, que inclui a concessão da revisão geral anual (data-base) de 5%, a reestruturação de carreiras e avanços funcionais. As iniciativas, que tramitam em regime de urgência, representam um impacto estimado de R$ 1,6 bilhão ao ano e beneficiam servidores ativos e inativos em diversas áreas do Poder Executivo.

A movimentação não para no campo econômico. A deputada Luciana Rafagnin (PT) acionou o Ministério Público para acompanhar a reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu, atingida por tornado em novembro de 2025, diante de atrasos na entrega de 320 moradias prometidas e da falta de transparência. O deputado Renato Freitas (PT), por sua vez, levou ao MP representação contra um radialista de Cascavel por declarações racistas.

Não é de somenos uma Audiência Pública, também ocorrida hoje, que articula grupo de trabalho para enfrentar despejos de moradores que vivem próximos às linhas de transmissão da Copel. O evento reuniu atingidos e movimentos sociais, que relataram desocupações e ajudaram a construir encaminhamentos.

No plano nacional, Chiorato também usou a tribuna política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após declaração feita nos Estados Unidos sobre o papel do Brasil diante da China. Em pronunciamento na ALEP, o líder oposicionista reagiu com o mote “O Brasil não é quintal de ninguém. O Brasil não está à venda”, tentando ligar a bancada estadual a um discurso de soberania nacional.

O dado político é este: a Oposição na ALEP decidiu sair da posição meramente reativa e escolheu pontos sensíveis para desgastar o governo em sequência, com denúncias, representações e cobrança sobre tarifas, salários e transparência. É uma linha de pressão pensada para furar a blindagem do Palácio Iguaçu no plenário e fora dele.

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