NYT questiona resistência de Cuba ao assédio de Trump

Cuba sofrerá pressão de Trump após sequestro de Maduro e enfrenta futuro incerto sob assédio americano

O presidente Miguel Díaz-Canel afirma que Cuba resiste ao assédio dos Estados Unidos, mesmo após o presidente Donald Trump elevar a pressão sobre Havana depois da captura do aliado Nicolás Maduro, fazendo a ilha enfrentar uma crise econômica e geopolítica aguda com cortes nos suprimentos de petróleo e ameaças de mudança de regime no Caribe, questiona o jornal The New York Times.

Os Estados Unidos intensificaram a ofensiva diplomática e econômica contra Havana após a operação americana que derrubou Maduro em 3 de janeiro de 2026, ação que isolou Cuba de sua principal fonte de petróleo, gerando apagões, inflação e escassez de combustíveis.

Sob administração de Trump, Washington lançou um decreto que ameaça com tarifas países que continuem a fornecer petróleo à ilha e colocou Cuba de volta à lista de nações patrocinadoras do terrorismo, medidas que Havana considera parte de uma campanha histórica de bloqueio econômico.

Díaz-Canel tem repetido que a ilha está aberta a diálogo com os EUA desde que seja sem pressão ou precondições, afirmando que Cuba defenderá sua soberania e o sistema político vigente desde 1959.

Autoridades cubanas também negaram negociações formais com Washington, embora estejam dispostas a um contato informal que permita coexistência respeitosa apesar das profundas discordâncias.

Especialistas ouvidos pelo NYT sugerem que a estratégia americana pós-Maduro pode ter como alvo final a transformação do regime cubano, mas que a resistência histórica e a lealdade de quadros internos dificultam uma mudança rápida ou forçada, uma lição que, dizem, veio de outros teatros de pressão política global.

Nas últimas semanas, a situação tem gerado tensões também com aliados regionais: os EUA pressionaram o México a interromper exportações de petróleo à ilha em meio ao agravamento da crise energética; México resiste à ameaça com base no princípio de soberania e ajuda humanitária.

Cuba enfrenta um duro abismo socioeconômico com dias de apagões prolongados, queda nas receitas de turismo e remessas, e debate interno sobre medidas de reorganização no futuro próximo.

No centro desse confronto está não só a sobrevivência do modelo socialista cubano, mas a prova de quão longe os EUA estão dispostos a ir para reescrever a realidade política da América Latina após décadas de sanções, embargos e intervenções, tema que o editorial do NYT levanta ao questionar se a ilha pode realmente resistir ao que define como um “assédio” contínuo da Casa Branca.

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