Início / brasil

Nordeste ganha 1,1 milhão de eleitores para 2026

O Nordeste ganhou 1.138.869 eleitores entre 2022 e 2026, enquanto o Sudeste perdeu 378.090 títulos no mesmo período. A mudança registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) amplia em 1.516.959 eleitores a diferença de movimento entre as duas regiões e obriga as campanhas presidenciais a recalcular território, comunicação e mobilização para o primeiro turno de 4 de outubro.

O Brasil terá 158.745.463 pessoas aptas a votar nas eleições de 2026. São 2.291.452 eleitores a mais do que em 2022, crescimento nacional de 1,46%. O aumento, porém, não ocorreu de maneira uniforme: Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresceram acima da média, enquanto o Sudeste encolheu em números absolutos.

O Nordeste passou de 42.390.976 para 43.529.845 eleitores, avanço de 2,69%. A região concentra agora 27,42% do eleitorado brasileiro. O Sudeste continua como principal colégio regional, com 66.329.375 pessoas aptas, mas sua participação caiu de 42,64% para 41,78% do total nacional.

O Norte apresentou o maior crescimento proporcional. O eleitorado regional avançou 4,37%, de 12.560.410 para 13.109.354 pessoas. O Centro-Oeste cresceu 3,97% e chegou a 11.997.001 eleitores. Os números fazem parte do cadastro divulgado pelo TSE em 20 de julho.

RegiãoEleitorado em 2026Variação desde 2022Parcela nacional
Sudeste66.329.375-378.09041,78%
Nordeste43.529.845+1.138.86927,42%
Sul22.861.012+302.25314,40%
Norte13.109.354+548.9448,26%
Centro-Oeste11.997.001+457.6787,56%
Exterior918.876+221.7980,58%

O novo mapa favorece numericamente regiões nas quais Lula (PT) construiu sua vantagem na eleição de 2022, mas não antecipa o resultado de 2026. Cadastro eleitoral mede quantas pessoas podem votar; não revela preferência, comparecimento, transferência de votos nem fidelidade partidária.

A consequência política está na distribuição do esforço de campanha. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisará reduzir a distância da direita no Nordeste sem perder a vantagem obtida pelo bolsonarismo em estados do Sul. Lula, por sua vez, dependerá de comparecimento elevado nos estados nordestinos e de desempenho competitivo no Sudeste, que ainda reúne mais de quatro em cada dez eleitores do país.

O cadastro também envelheceu. O número de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 32.891.438 para 37.457.537, acréscimo de 4.566.099 eleitores. Esse grupo passou de 21,02% para 23,60% do total nacional.

Na direção contrária, o contingente de 21 a 34 anos caiu de 43.819.788 para 41.037.601 pessoas. A participação dessa faixa recuou de 28,01% para 25,85%. Entre os eleitores com até 18 anos, houve redução de 606.468 registros em relação a 2022, queda de 14,52%.

O Nordeste reúne 1.315.104 eleitores com até 18 anos, o maior contingente regional. O Sudeste aparece com 1.074.280. O desafio das campanhas não será apenas disputar regiões, mas alcançar uma base mais envelhecida sem abandonar o eleitor jovem, cuja adesão facultativa pode alterar o comparecimento.

As mulheres continuam majoritárias. São 83.877.126 eleitoras, equivalentes a 52,84% do cadastro nacional. O eleitorado masculino soma 74.845.001 pessoas. A diferença superior a 9 milhões torna a disputa pelo voto feminino uma condição nacional, não apenas uma segmentação de propaganda.

No Paraná, o eleitorado chegou a 8.609.026 pessoas e ultrapassou o Rio Grande do Sul. O estado tornou-se o quinto maior colégio eleitoral do Brasil, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Os cinco estados concentram juntos 52,45% de todos os eleitores.

O avanço paranaense contrasta com o crescimento modesto do Sul. A região ganhou 302.253 eleitores em quatro anos, menos de um terço do aumento nordestino. Sua participação nacional ficou em 14,40%, pouco abaixo da registrada em 2022.

Não existe um sistema formal de delegados na eleição presidencial brasileira: cada voto tem o mesmo peso na totalização nacional. O “placar” regional, porém, define onde uma vantagem pode ser construída ou neutralizada. Em uma eleição apertada, ganhar 1,1 milhão de eleitores numa região e perder 378 mil em outra altera o tamanho do terreno que cada campanha terá de percorrer.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026.

Leia também: