A Real Academia Sueca de Ciências concedeu nesta quarta-feira (8) o Prêmio Nobel de Química a Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas pela sigla MOF (Metal-Organic Frameworks).
Essas construções moleculares criam “salas” microscópicas por onde gases e líquidos podem circular.
A descoberta abriu caminho para capturar dióxido de carbono, armazenar hidrogênio e até coletar água do ar em desertos, segundo comunicado oficial da Academia.
Os três cientistas, das universidades de Quioto (Japão), Melbourne (Austrália) e Califórnia em Berkeley (EUA), dividirão 11 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 5,8 milhões.
Kitagawa foi o primeiro a mostrar, nos anos 1990, que essas estruturas podiam ser porosas e flexíveis.
Yaghi consolidou o conceito ao criar um MOF estável e modular, com propriedades personalizáveis.
Robson lançou a base do modelo ainda nos anos 1980, ao combinar íons de cobre e moléculas orgânicas em cristais repletos de cavidades, um esqueleto químico que lembrava um diamante com espaço interno.
Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, disse que as MOFs representam “um novo universo de possibilidades para a química, com funções antes inimagináveis”.
Desde então, dezenas de milhares dessas estruturas foram sintetizadas, com aplicações ambientais e energéticas.
As MOFs hoje são estudadas para eliminar substâncias tóxicas da água, decompor resíduos farmacêuticos e capturar gases responsáveis pelo aquecimento global, avanços que unem ciência pura e impacto social direto.
Omar Yaghi, nascido na Jordânia e naturalizado americano, contou que decidiu seguir a carreira científica aos 10 anos, “encantado pela beleza das moléculas”.
Kitagawa e Robson, veteranos na pesquisa em materiais porosos, celebraram o reconhecimento como um incentivo à cooperação internacional na ciência.
O anúncio encerra a série de prêmios científicos de 2025, após as distinções em Medicina e Física.
As cerimônias oficiais ocorrerão em dezembro, em Estocolmo, quando os laureados receberão as medalhas das mãos do rei Carlos XVI Gustavo.
O Nobel de Química de 2025 reafirma o papel da pesquisa científica como aliada no combate à crise climática e na criação de tecnologias limpas.
Para além dos laboratórios, é um prêmio à imaginação humana, e à química que constrói o futuro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




