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Sergio Moro e Requião Filho já arrecadaram praticamente o mesmo valor para a corrida ao Palácio Iguaçu, enquanto Sandro Alex aparece atrás; diferença está também na concentração das fontes de financiamento
Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno?
A corrida pelo Governo do Paraná ganhou uma nova variável além das pesquisas eleitorais: o dinheiro disponível para financiar as campanhas. Dados de prestação de contas eleitoral disponíveis neste domingo, 6 de setembro, mostram Sergio Moro (PL) com cerca de R$ 11,8 milhões arrecadados, Requião Filho (PDT) com R$ 11 milhões e Sandro Alex (PSD) com aproximadamente R$ 7 milhões.
Somadas, as três campanhas já declararam aproximadamente R$ 29,8 milhões em recursos. Os números têm origem na prestação de contas eleitoral e são alimentados pela base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O dado mais curioso não está apenas no ranking. Está na maneira como o dinheiro chega às campanhas.
Requião Filho aparece praticamente empatado com Moro em arrecadação, mas sua campanha registra uma concentração extrema dos recursos. Os R$ 11 milhões declarados pelo candidato do PDT vieram da Direção Nacional do partido, em dois repasses: R$ 6 milhões em 24 de agosto e R$ 5 milhões em 4 de setembro.
Isso significa que, até a atualização consultada, 100% dos recursos declarados por Requião Filho estavam concentrados no PDT nacional. A origem do dinheiro, portanto, é muito diferente da imagem sugerida pela simples comparação dos valores totais.
Moro também depende fortemente do próprio partido, mas apresenta uma quantidade maior de fontes de recursos. O candidato do PL havia recebido R$ 11,77 milhões em 18 repasses na atualização mais recente localizada, sendo R$ 10,8 milhões provenientes da Direção Nacional do PL.
A diferença entre os dois modelos é politicamente relevante. Requião chegou aos R$ 11 milhões com dois repasses de uma única origem institucional. Moro alcançou aproximadamente R$ 11,8 milhões combinando o grande aporte do PL com contribuições de pessoas físicas.
Em outras palavras, os dois candidatos estão quase no mesmo patamar financeiro, mas não chegaram até ele pela mesma estrada.
O dinheiro já supera R$ 29 milhões

Considerando os valores arredondados disponíveis para as três principais candidaturas, Moro, Requião Filho e Sandro Alex já movimentaram aproximadamente R$ 29,8 milhões em recursos declarados.
Moro lidera com cerca de R$ 11,8 milhões.
Requião Filho aparece logo atrás, com R$ 11 milhões.
Sandro Alex vem em terceiro, com aproximadamente R$ 7 milhões.
A diferença entre Moro e Requião Filho é pequena diante do tamanho das campanhas: cerca de R$ 800 mil.
Já a distância entre Requião e Sandro Alex chega a aproximadamente R$ 4 milhões.
A fotografia financeira, portanto, não acompanha necessariamente a ordem apresentada pelas pesquisas. Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em 3 de setembro colocou Moro na liderança da corrida ao governo, com 45%, Requião Filho em segundo, com 24%, e Sandro Alex em terceiro.
O dinheiro, por si só, não compra voto. Mas determina capacidade de produção de propaganda, contratação de estrutura, deslocamentos, comunicação digital, material de campanha e presença territorial.
Requião tem dinheiro concentrado
O caso de Requião Filho é o mais peculiar.
Os R$ 11 milhões declarados até a atualização consultada foram transferidos exclusivamente pela Direção Nacional do PDT. O primeiro aporte foi de R$ 6 milhões e o segundo, de R$ 5 milhões.
A concentração reduz a diversidade das fontes de financiamento, mas não reduz o tamanho do caixa declarado.
O candidato do PDT já recebeu o equivalente a cerca de 95% do teto legal de gastos estabelecido para o primeiro turno da disputa pelo governo estadual, segundo a base consultada.
É um indicador importante porque mostra que a campanha de Requião Filho entrou em setembro com uma parcela muito elevada do limite financeiro disponível já registrada como receita.
Moro combina fundo partidário e doações
Moro também recebeu a maior parte de seus recursos do partido.
Dos cerca de R$ 11,8 milhões declarados, R$ 10,8 milhões vieram da Direção Nacional do PL. A base consultada registra ainda contribuições de pessoas físicas, elevando o número de fontes de financiamento.
A campanha do senador, portanto, também é fortemente dependente da estrutura partidária, mas apresenta uma composição mais pulverizada que a de Requião Filho.
O maior repasse individual foi justamente o do PL nacional, de R$ 10,8 milhões.
Outro dado chama atenção: o volume recebido por Moro já supera o teto legal de gastos do primeiro turno indicado na base de acompanhamento. Isso não significa, porém, que o candidato possa gastar acima do limite. Arrecadação e despesa são conceitos distintos, e o teto se aplica aos gastos eleitorais.
E Sandro Alex?
Sandro Alex aparece em terceiro entre os três principais candidatos na fotografia financeira, com aproximadamente R$ 7 milhões declarados.
A distância financeira para Moro é de quase R$ 5 milhões. Para Requião Filho, de cerca de R$ 4 milhões.
O candidato do PSD, entretanto, disputa a eleição amparado por uma estrutura política diferente, ligada ao grupo que administra o Paraná e à candidatura governista.
Por isso, o ranking de arrecadação não pode ser confundido com um ranking automático de força eleitoral.
Dinheiro é capacidade de campanha. Não é intenção de voto.
A própria sucessão de pesquisas mostra que recursos, estrutura política, exposição e desempenho eleitoral não caminham necessariamente na mesma velocidade.
A próxima fotografia pode mudar
Há uma razão para os números ainda não serem tratados como fotografia definitiva da eleição.
As prestações de contas são atualizadas conforme as receitas e despesas são declaradas à Justiça Eleitoral. A base de monitoramento consultada informa que os dados são processados a partir das informações disponibilizadas pelo TSE e que a campanha continua recebendo novos registros.
A prestação parcial referente à movimentação financeira mais recente será especialmente importante porque permitirá verificar quanto dinheiro efetivamente entrou nas campanhas na reta que antecede o primeiro turno.
O prazo para distribuição de recursos partidários também continua em curso. Segundo o monitoramento baseado nos dados do TSE, o prazo legal para que os partidos distribuam recursos mínimos destinados a candidaturas de mulheres, pessoas pretas e pardas e indígenas termina em 8 de setembro.
Ou seja: o mapa financeiro ainda pode mudar.
Mas a fotografia de 6 de setembro já permite uma conclusão objetiva.
Moro e Requião Filho estão praticamente empatados em capacidade financeira declarada, enquanto Sandro Alex aparece em um degrau abaixo. A diferença decisiva, por enquanto, está menos no tamanho do caixa e mais na origem do dinheiro.
Requião depende de uma única fonte institucional.
Moro concentra a maior parte dos recursos no PL, mas soma doações de pessoas físicas.
E Sandro Alex ainda precisa reduzir a distância financeira para os dois adversários que aparecem à sua frente tanto no caixa quanto nas pesquisas mais recentes.
Na eleição para o Palácio Iguaçu, portanto, a pergunta deixou de ser apenas quem está na frente nas pesquisas.
Também é preciso perguntar: quem está financiando a corrida e quanto dinheiro cada campanha terá para transformar arrecadação em presença eleitoral?
É essa resposta que a próxima rodada de prestações de contas deverá começar a revelar.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




