Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, vai a Ponta Grossa na quinta-feira (25) depois de o DataTraiano mostrar Sandro Alex (PSD) numericamente à frente dele na cidade; Deltan Dallagnol (Novo), antes anunciado no encontro de PL e Novo, informou que não comparecerá, e a ausência abriu novo foco de tensão com Filipe Barros (PL) na disputa pelo Senado.
O evento será realizado das 19h às 21h30, no Mirante dos Campos, no bairro Contorno, em Ponta Grossa. A agenda reúne Moro, Filipe Barros e lideranças de PL e Novo no município que virou vitrine da briga entre o lavajatismo bolsonarista e a máquina estadual de Ratinho Junior (PSD).
O dado que move a agenda é político. A pesquisa Radar Inteligência, apelidada de DataTraiano, nesta segunda-feira (22), apontou Sandro Alex com 33,4% e Moro com 32,6% na disputa pelo governo entre eleitores de Ponta Grossa. A diferença é de 0,8 ponto percentual, dentro da margem de erro de quatro pontos, mas a manchete cortou a narrativa de inevitabilidade do senador do PL.
O levantamento ouviu 625 eleitores de Ponta Grossa nos dias 18 e 19 de junho, com nível de confiança de 95%, e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-01667/2026. A pesquisa mede uma cidade, não o Paraná inteiro, mas Ponta Grossa tem peso eleitoral, simbólico e territorial nos Campos Gerais.
Moro chega à cidade para tentar recompor o terreno depois de duas pancadas políticas em sequência: a ausência na sabatina da União de Câmaras, Vereadores e Gestores Públicos do Paraná (UVEPAR), em Curitiba, e o empate técnico com Sandro Alex em um reduto que o Palácio Iguaçu passou a usar como prova de vida da candidatura governista.
A ausência de Deltan muda o enquadramento do encontro. Em aviso anterior, a aliança bolso-lavajatista havia anunciado a presença do ex-deputado cassado. Agora, segundo a informação repassada ao Blog do Esmael, Deltan não participará por causa de outro compromisso.
A cadeira vazia de Deltan não é apenas problema de agenda. O Blog do Esmael apurou que o clima nos bastidores é de canibalização entre candidatos da direita ao Senado. Filipe Barros e Deltan disputam o mesmo eleitorado bolsonarista, o mesmo discurso contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e a mesma tentativa de herdar o espólio político da Lava Jato no Paraná.
A fotografia pública é de chapa. O bastidor é de concorrência predatória.
Filipe Barros carrega o PL, a relação direta com o bolsonarismo e a tentativa de se apresentar como nome orgânico da direita para uma das duas vagas ao Senado. Deltan carrega o recall da Lava Jato, a militância digital e a vulnerabilidade jurídica que volta a rondar seu projeto eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, em 16 de maio de 2023, o registro de candidatura de Deltan a deputado federal. A decisão reformou entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia deferido o registro. A cassação de 2023 é fato confirmado; a situação de uma eventual candidatura em 2026 dependerá de registro, impugnação, defesa e julgamento pela Justiça Eleitoral.
Não há decisão nova do TRE-PR sobre o registro de 2026 porque o processo eleitoral ainda terá etapas próprias. O que existe é risco jurídico, cálculo político e movimentação preventiva dentro do campo da direita.
Segundo apuração do Blog, Deltan já trabalha com um plano B em caso de inelegibilidade confirmada pela Justiça Eleitoral: promover Fernanda Dallagnol, sua mulher, à condição de candidata ao Senado. A hipótese acendeu resistência entre bolsonaristas, que não querem a formação de um novo clã político à imagem e à semelhança da família Bolsonaro.
É aí que o bicho pega.
Integrantes da direita ouvidos pelo Blog afirmam que a base bolsonarista aceita aliança tática com o Novo, mas resiste a entregar uma vaga ao Senado a uma substituição familiar comandada por Deltan. O argumento interno é simples: o PL já tem Filipe Barros, e o bolsonarismo não quer ceder espaço para um segundo núcleo familiar disputar o mesmo eleitor conservador.
A tensão subiu porque Deltan, segundo relatos de bastidor, teria ameaçado deixar o Novo se não puder indicar Fernanda Dallagnol como substituta em caso de inelegibilidade confirmada. A versão circula entre interlocutores da direita, mas não foi formalizada publicamente pelo ex-procurador.
O Novo entra na equação com custo próprio. O partido tenta vender discurso de renovação, antiprivilégio e mérito, mas pode ser pressionado a administrar uma solução familiar para preservar o capital eleitoral de Deltan. A contradição é combustível para adversários e munição para bolsonaristas que já questionam a aliança do PL com a legenda de Romeu Zema.
Moro tenta usar Ponta Grossa para mostrar comando regional. Filipe Barros tenta transformar o palanque em demonstração de força no Senado. Deltan, ausente, vira assunto mesmo sem subir ao palco. E o Palácio Iguaçu assiste à direita brigar por dentro enquanto Sandro Alex tenta provar que o empate técnico em Ponta Grossa não foi acidente estatístico.
A consequência política é direta. Se Moro precisa correr atrás do prejuízo em Ponta Grossa, Filipe Barros precisa evitar que Deltan capture uma das vagas ao Senado. Se Deltan depende de uma engenharia jurídica e familiar, o Novo terá de explicar por que uma candidatura apresentada como moralizadora pode terminar em sucessão doméstica.
O eleitor dos Campos Gerais verá na quinta-feira um encontro regional. Os partidos verão outra coisa: um teste de sobrevivência da aliança PL-Novo, uma disputa silenciosa pelas duas vagas ao Senado e uma tentativa de Moro de impedir que o DataTraiano vire senha para prefeitos, vereadores e cabos eleitorais migrarem para a órbita de Ratinho Junior.
A eleição de 2026 no Paraná ainda não chegou às convenções, mas já entrou na fase da faca curta. Ponta Grossa deixou de ser apenas endereço de evento. Virou campo de prova para medir quem manda na direita, quem apenas posa para foto e quem será devorado antes da urna.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




