A recente troca de farpas entre o senador Sergio Moro (União Brasil) e o deputado estadual Ney Leprevost (União Brasil) não é apenas uma querela momentânea, mas um prenúncio da disputa pelo comando do Paraná em 2026.
Ambos os políticos do União já manifestaram interesse em suceder o governador Ratinho Junior (PSD), e a tensão atual revela estratégias políticas que vão além das eleições municipais de Curitiba.
Durante a campanha para a prefeitura da capital paranaense, Leprevost contou com Rosângela Moro como sua vice.
No dia 24 de setembro, ainda no primeiro turno, o Blog do Esmael informou em primeiríssima mão que o casal Moro e o candidato do União à Prefeitura de Curitiba, Ney Leprevost, haviam rompido.
No entanto, em poucos minutos, os envolvidos na treta agiram como bombeiros ao negar o rompimento durante a campanha.
No entanto, após um resultado aquém do esperado — ficou em quarto lugar com 6,5% dos votos —, o ex-candidato do União apontou o dedo para Moro, afirmando que a presença dele e de sua esposa “atrapalhou bastante” a campanha.
Segundo Leprevost, Moro é “ruim de lidar, de difícil trato, vaidoso” e carrega consigo a imagem de “carrasco do Lula e traidor do Bolsonaro”.
Moro não deixou barato.
Em entrevista ao jornal O Globo, retrucou chamando Leprevost de “político velho” que busca desculpas para a derrota.
O ex-juiz da Lava Jato afirmou ainda que o deputado “não soube se conectar com o eleitorado” e que ele próprio “praticamente não apareceu na propaganda eleitoral” de Leprevost.
A troca de acusações evidencia uma ruptura significativa dentro do União Brasil no Paraná.
A raiz dessa desavença parece estar fincada nas ambições políticas de ambos para 2026.
Leprevost já se coloca como pré-candidato ao governo do estado e, em pesquisas recentes, apareceu com 28% das intenções de voto para o Senado.
Moro, por sua vez, não esconde o desejo de ocupar o Palácio Iguaçu e afirma que sua possível candidatura ao governo é uma “probabilidade”.
A neutralidade declarada por Leprevost no segundo turno em Curitiba e a liberação dos filiados do partido para apoiarem quem quiserem são movimentos que visam preservar seu capital político para a disputa estadual.
Ao mesmo tempo, Moro busca consolidar sua posição, minimizando o impacto das derrotas de seus candidatos nas eleições municipais e mantendo-se como uma figura influente no cenário político paranaense.
A cisão entre Leprevost e Moro levanta questionamentos sobre a coesão do União Brasil no estado.
Com declarações de que não caminhará politicamente com Moro e que poderá deixar o partido caso o senador seja o candidato ao governo, Leprevost indica que a disputa interna pode se intensificar nos próximos tempos.
Enquanto isso, o governador Ratinho Junior observa o desenrolar dos acontecimentos.
Caso não viabilize sua candidatura à presidência em 2026, Ratinho poderá buscar uma vaga no Senado, o que adiciona mais um elemento na dramática equação política do Paraná.
A “treta” entre Moro e Leprevost é mais do que um desentendimento pessoal; é um reflexo das articulações políticas que já estão em curso para 2026.
Resta saber como o União Brasil vai gerir essa disputa interna e quais serão os impactos para o cenário político estadual.
O que está em jogo não é apenas o futuro de dois políticos, mas o direcionamento político do Paraná nos próximos anos.
Convido os leitores do Blog do Esmael acompanharem mais esta treta entre Moro e Leprevost, que promete atravessar os dias e meses que antecedem as eleições 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




