O Palácio Iguaçu avalia que o senador Sergio Moro (União-PR) está por trás das denúncias recentes de corrupção envolvendo prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba.
A leitura no entorno do governador Ratinho Júnior (PSD) é que o ex-juiz tenta atingir politicamente o núcleo palaciano, que inclui o próprio governador, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD).
Na semana passada, o prefeito de Fazenda Rio Grande, Marcos Marcondes (PSD), foi preso pelo GAECO acusado de desvio de recursos públicos em contratos da área da saúde.
Segundo o Ministério Público do Paraná, o patrimônio do prefeito quadruplicou entre 2020 e 2024, saltando de R$ 231 mil para R$ 1,3 milhão.
O caso teria exposto fragilidades no esquema político-administrativo que une várias prefeituras ao governo estadual.
A operação, que mirou também servidores e empresários, apura suspeita de superfaturamento e dispensa de licitação em contratos de testagem domiciliar e outros serviços médicos firmados entre a Prefeitura e a empresa AGP Saúde.
O MPPR afirma que os valores pagos pela Prefeitura foram “incompatíveis com os serviços prestados”, o que pode caracterizar superfaturamento e desvio de recursos.
A AGP Saúde teria recebido mais de R$ 9,5 milhões apenas em Fazenda Rio Grande, além de contratos com outras prefeituras da RMC.
Dias antes da prisão, o apresentador Ratinho recebeu o prefeito Marcondes no palco do Programa do Ratinho (SBT), em rede nacional.
O vídeo, que viralizou nas redes, mostra o comunicador parabenizando o gestor.
“Parabéns pro melhor prefeito da história lá”, disse Ratinho, ao lado do convidado, enquanto o prefeito explicava o modelo de um evento para incentivar o comércio local com shows de Zezé Di Camargo & Luciano, Zé Neto & Cristiano e Edson & Hudson.
O prefeito explicava que os ingressos seriam trocados por compras no comércio da cidade.
“O cara compra no comércio, ganha o ingresso e não precisa pagar. Trinta e cinco por cento do público do ano passado veio de fora”, comentou o gestor no programa.
O elogio público de Ratinho pai, hoje associado politicamente ao governador Ratinho Júnior, gerou constrangimento no Palácio Iguaçu, que tenta se descolar do escândalo e do prefeito detido.
Nos bastidores, aliados do governador avaliam que Sergio Moro aproveitou o momento para intensificar o desgaste do grupo do PSD, aproveitando a prisão de prefeitos próximos ao governo para vincular o tema da corrupção à gestão Ratinho Júnior.
Segundo essa leitura, o senador teria conhecimento de que sua “bala de prata” poderia falhar e decidiu explorar os casos municipais para atingir a imagem do governador, que pretende permanecer no cargo até o último dia de mandato e controlar pessoalmente sua sucessão.
O plano do grupo palaciano é manter o poder dentro do PSD, com nomes como Darci Piana, Alexandre Curi, Rafael Greca ou Guto Silva na linha de frente da disputa de 2026.
Paralelamente, Moro abriu outra frente política em Ponta Grossa, estimulando a prefeita Elizabeth Schmidt (União) a cobrar publicamente o governo estadual por suposto descumprimento de promessas.
A gestora acusa Ratinho Júnior de não cumprir o compromisso de asfaltar 100% das ruas da cidade, promessa feita em 2020, quando o governador apoiou sua candidatura.
Segundo a prefeita, seriam necessários R$ 1,3 bilhão a R$ 1,5 bilhão para atingir a meta, mas o governo liberou apenas R$ 170 milhões, menos de 10% do valor total.
Ela afirma que Ponta Grossa recebeu “quinze vezes menos que Curitiba, seis vezes menos que Cascavel e cinco vezes menos que Londrina e Maringá” nos planos de investimento estadual.
A denúncia pública de Elizabeth gerou forte reação de aliados de Ratinho Júnior.
O deputado estadual Marcelo Rangel (PSD) acusou a prefeita de “ingratidão” e a primeira-dama do Paraná, Luciana Sato Massa, respondeu dizendo que “a falta de diálogo é um dos grandes problemas da vida” e classificou a cobrança como “vitimismo na gestão pública”.
Elizabeth respondeu afirmando que Luciana estava sendo “enganada por pessoas maldosas e fofoqueiras”, e declarou que o bloqueio político e a perseguição são reais.
“Faço questão de encaminhar tudo a você, não fiz nenhum ataque ao governador, pelo contrário, pedi ajuda. Me admira você, mulher, fazer essa crítica”, escreveu a prefeita, encerrando com um apelo: “Socorro”.
A troca de farpas entre a prefeita e a primeira-dama evidenciou o rompimento de um grupo político que até pouco tempo marchava unido sob o mesmo projeto estadual.
Para analistas ouvidos pelo Blog, o episódio em Ponta Grossa é mais um movimento de Moro para descontruir a imagem de pacificação política vendida por Ratinho Júnior.
Ao apoiar Elizabeth, o ex-juiz busca reconstruir base no interior e testar seu discurso moralista, reeditando a retórica da Lava Jato em escala estadual.
Enquanto o governador tenta conter o desgaste e reafirmar o controle sobre sua base, Moro aposta no conflito para se firmar como principal nome da direita paranaense em 2026.
A prisão do prefeito de Fazenda Rio Grande, o embate com a prefeita de Ponta Grossa e o desconforto do grupo do PSD revelam que a disputa já começou nos bastidores e tende a se acirrar nas redes, nas ruas e nos palcos, inclusive os do SBT.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Tudo que essa gente faz eles colocam essas duplas sertanejas no esquema, proibiram shows em promoção política, mais eles deram um jeito, de trazer esses absurdos para o dinheiro público pagar, se ficarem na cola e nós cálculos do custo desse projeto verão, alias comício antecipado, é desmoralizante, pra muitos municípios do Paraná que estão na merda é muitas duplas recebendo mais de um milhão pra cantar menos de duas horas. Que falta de uma CPI depois da quarta feira de cinza.