O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou novas visitas a Jair Bolsonaro na Papuda e acabou jogando luz sobre quem ainda frequenta o entorno civil do ex-presidente condenado a mais de 27 anos de prisão em regime fechado.
Relator da execução penal no Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes atendeu a pedido da defesa e fixou datas, horários e regras rígidas para os encontros no Complexo Penitenciário da Papuda, onde Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena.
Na quarta-feira, 4 de março, das 8h às 10h, a visita será do empresário Paulo Maximiano Junqueira Neto. No sábado, 7 de março, no mesmo horário, está autorizada a entrada do senador Wellington Fagundes (PL-MT). Ambos precisam de cadastro prévio e devem seguir à risca as normas do sistema prisional do Distrito Federal.
O empresário não é um desconhecido. Paulo Maximiano Junqueira Neto é do interior paulista e ganhou projeção ao hospedar Bolsonaro em sua fazenda, em Serrana (SP), durante a Agrishow de 2023. À época, o ex-presidente manteve agenda política paralela ao maior evento do agronegócio do país.
Dados oficiais do TSE mostram que Junqueira foi um dos doadores da campanha presidencial de Bolsonaro em 2022, com cerca de R$ 158 mil repassados via Pix. Uma das doações, de R$ 22.222,22, chamou a atenção pela referência direta ao número do PL e ao ano da eleição.
O empresário também financiou aliados estratégicos do bolsonarismo em São Paulo. Doou mais de R$ 100 mil à campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito governador, além de contribuições a outros candidatos do mesmo campo político. Áudios apreendidos pela Polícia Federal em 2023 indicam relação de proximidade pessoal, com convites e trânsito livre na fazenda.
A autorização não é só um ato administrativo. Ela revela quem segue sustentando Bolsonaro fora da prisão: empresários que financiaram campanhas, ofereceram abrigo e ajudaram a manter o bolsonarismo operando mesmo após a derrota eleitoral e a condenação criminal.
Moraes manteve a linha dura. O direito à visita é respeitado. Privilégios, não. Tudo sob controle do Estado, com comunicação à PMDF e ciência à Procuradoria-Geral da República.
Ao liberar as visitas e explicitar os nomes, o STF desmonta a narrativa de isolamento e revela a rede que ainda orbita Bolsonaro. Transparência incomoda, mas qualifica o debate público.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




