Índice de Tópicos
Blog do Esmael, direto de Brasília – O mercado financeiro é como aquele amigo falso: sorri, mas não hesita em puxar o tapete quando convém. Prova disso é a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (19), justamente no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) define a nova taxa Selic. O levantamento revela que, para 93% dos investidores, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o nome mais forte da direita para a disputa presidencial de 2026.
O detalhe que chama atenção é que o mercado, tão crítico com o governo Lula, também rejeita nomes tradicionais do bolsonarismo, como Eduardo Bolsonaro (PL), que aparece com apenas 3% das preferências. Ou seja, os tubarões da Faria Lima já escolheram seu cavalo para a próxima corrida eleitoral.
O mercado contra Lula e Haddad
A rejeição do mercado ao governo Lula e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também ficou clara na pesquisa. Segundo os dados da Quaest, 88% dos entrevistados consideram a gestão de Lula “negativa”. No caso de Haddad, a desaprovação atinge 58%, um número preocupante para um ministro que tenta equilibrar as contas sem desagradar às bases populares.
Curiosamente, quem tem se saído relativamente bem na percepção do mercado é o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com 45% de avaliação positiva. Isso sinaliza que, apesar das críticas ao governo, os agentes financeiros ainda têm esperança de que a política monetária siga um rumo mais “conservador”.
Galípolo também preside o Copom, que é composto por nove integrantes. Desses, incluindo Galípolo, sete foram indicados por Haddad e Lula.
Copom e a expectativa de juros altos
Enquanto o mercado financeiro define seus padrinhos para 2026, o povo brasileiro segue sofrendo com juros escorchantes. A expectativa é que o Copom mantenha ou aumente a Selic, consolidando o Brasil como o país com uma das taxas de juros reais mais altas do mundo. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano, mas pode subir para 14,25%, conforme apontam alguns analistas.
Os juros altos, é claro, são um banquete para os especuladores, mas um pesadelo para a economia real. Pequenos e médios empresários, trabalhadores endividados e o setor produtivo sofrem com o aperto.
Manifestantes contra os juros abusivos
Na véspera da decisão do Copom, sindicalistas e movimentos sociais realizaram protestos contra os juros altos em frente ao Banco Central, em Brasília. Paulo Vinicius (PV), dirigente do Sindicato dos Bancários, criticou a pressão do mercado financeiro para manter os juros elevados.
“Toda reunião do Copom estamos aqui para denunciar o capital especulativo. Já saiu Roberto Campos Neto, mas seu espírito ainda continua perturbando o povo brasileiro”, afirmou o sindicalista ao Blog do Esmael.
Os manifestantes denunciam um conluio entre os grandes bancos e a mídia comercial para manter a Selic em patamares elevados, garantindo lucros recordes ao sistema financeiro às custas da população.
O governo pode confiar no mercado?
A pesquisa da Quaest e as movimentações no Copom deixam claro que Lula e seu governo não podem esperar gratidão do mercado financeiro. Por mais que o governo tente dialogar e adotar medidas para agradar os investidores, a agenda do capital está fechada com Tarcísio e com quem garantir lucros fáceis.
No fim das contas, cabe ao governo definir: vai continuar tentando um casamento forçado com quem nunca foi leal ou vai romper de vez e apostar na economia real? A conferir.
Leia também no Blog do Esmael: Banqueiros sonham com disputa entre Tarcísio e Haddad em 2026; só falta combinar com os russos; Avaliação positiva do governo de Lula cai 4 pontos percentuais, segundo pesquisa Genial/Quaest; A rejeição de Bolsonaro chocou o Palácio do Planalto e alegrou Lula, que teve uma crise de riso

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



