Suspeita de rachadinha cola Mario Frias a Dark Horse

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) voltou ao centro da crise bolsonarista neste sábado (23), agora por suspeita de rachadinha em seu gabinete, depois que comprovantes e extratos indicaram repasses feitos por uma ex-secretária parlamentar a familiares do deputado e ao então chefe de gabinete.

A nova frente atinge Frias no mesmo momento em que ele já aparece em apurações sobre emendas ligadas à produtora do filme Dark Horse, obra sobre Jair Bolsonaro (PL), e no rastro político do caso Banco Master. O caminho que começou pelo filme bolsonarista chegou ao gabinete, aos salários, às emendas e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Gardênia Morais trabalhou no gabinete de Frias de fevereiro de 2023 a maio de 2024. Ela afirmou que o deputado sabia das devoluções de salário ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo. A frase atribuída a ela é grave, mas ainda é declaração de uma ex-servidora, não conclusão de investigação.

Os documentos citados indicam que Gardênia pagou, em dezembro de 2023, uma fatura de R$ 4.832,32 do cartão de crédito de Juliana Frias, mulher do deputado. Também houve Pix de R$ 1.000, em 29 de janeiro de 2024, para Maria Lucia Frias, mãe do parlamentar.

A mesma apuração aponta repasses de R$ 35.116 ao então chefe de gabinete, à ex-mulher dele e a outra familiar. Os Pix variaram de R$ 816 a R$ 5.000. Gardênia também contraiu cinco empréstimos consignados, no total de R$ 174,8 mil, e declarou que quatro teriam sido pedidos por Frias e Azevedo para quitar dívidas da campanha de 2022.

Outro ponto sensível é o dinheiro vivo. Em março de 2024, Gardênia sacou R$ 50 mil, mas não revelou quem recebeu o valor. A ex-funcionária falou em saque de R$ 49.999,99 e disse haver outras pessoas devolvendo parte do salário dentro do gabinete, o que motivou o pedido do PSOL à PGR.

O caso entrou no campo institucional. O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) protocolou neste sábado (23) uma representação criminal na PGR para pedir investigação contra Frias. Como o parlamentar tem foro por prerrogativa de função, cabe à PGR investigar e apresentar eventual denúncia criminal.

Frias, por meio de sua assessoria, foi procurado por vários veículos de imprensa que não obtiveram resposta até a publicação da reportagem. O espaço para manifestação do parlamentar está mantido, porque a suspeita ainda depende de apuração formal e contraditório.

O detalhe político é que a suspeita de rachadinha não aparece isolada. O Supremo Tribunal Federal (STF) tentou notificar Frias para prestar esclarecimentos sobre o envio de emendas parlamentares a uma organização não governamental ligada à produtora responsável por Dark Horse.

Nesse outro eixo, Frias é apontado como produtor-executivo do filme e alvo de apuração preliminar no STF sobre suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à Go Up Entertainment. A obra retrata a trajetória política de Bolsonaro e ainda não foi lançada.

A conexão com o universo Dark Horse ganhou força depois que reportagens revelaram contatos envolvendo o financiamento da produção. A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) pediu a inclusão de Frias no inquérito do Banco Master no STF, citando áudios e conversas atribuídos ao deputado sobre apoio de Daniel Vorcaro ao filme. Frias disse que não tinha preocupação com o caso e afirmou: “Apenas produzi um filme”.

O desgaste, portanto, se espalha por três trilhas: a suspeita de devolução de salários no gabinete, as emendas associadas a projetos culturais ou esportivos e o financiamento político de Dark Horse. Nenhuma delas autoriza condenação antecipada. Todas, porém, exigem documento, resposta oficial e investigação pública.

A crise alcança o bolsonarismo cultural porque Frias não é um deputado periférico nesse enredo. Ele foi secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, virou personagem do discurso conservador no audiovisual e aparece associado ao filme que tenta transformar a biografia política do ex-presidente em produto eleitoral.

Para 2026, o dano vai além de Frias. O caso reforça a pergunta que a direita tenta evitar desde a explosão do Banco Master: quem pagou, quem intermediou, quem se beneficiou e quem usou mandato público para sustentar projetos privados ou políticos.

A linha ética é clara. Trata-se de suspeitas, declarações atribuídas e documentos citados por veículos jornalísticos, tais como g1. Não há condenação judicial contra Frias nesse caso. A consequência política, porém, já existe: a PGR foi acionada, o STF tenta ouvir o deputado em outra frente e o filme de Bolsonaro virou rota de apuração sobre dinheiro, gabinete e poder.

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