Magistério ameaça greve a partir de quarta em Curitiba

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), chega à véspera de uma greve do magistério com um impasse político na área da educação: a paralisação está mantida para quarta-feira (8), e o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) sustenta que, das 20 promessas feitas à educação na campanha, apenas uma foi cumprida. A Prefeitura afirma que abriu negociação, mas as respostas centrais sobre carreira e valorização ainda não foram entregues.

A tensão aumentou depois das reuniões de terça-feira (31) e quinta-feira (2). Segundo o sindicato, a gestão foi à mesa sem prazo e sem avanço concreto sobre os pontos considerados mais urgentes pela categoria. Do lado do Executivo, a principal sinalização foi estudar a ampliação do alcance do crescimento vertical no próximo procedimento, em 2027, enquanto o edital em curso de 2025 mantém 2.308 vagas para cerca de 6 mil inscritos.

É nesse ponto que se concentra a divergência entre as partes. O SISMMAC passou a sustentar que o prefeito assumiu 20 compromissos públicos com a educação municipal e, até sexta-feira (3), só reconhece um avanço concreto: o chamado “Descongela”, com a retomada da contagem do tempo de serviço interrompida durante a pandemia. Na avaliação do sindicato, os demais pontos seguem sem solução.

Entre as pendências apontadas pela categoria estão salas superlotadas, falta de profissionais nas escolas, exclusão de grande parte do magistério do crescimento vertical, ausência de auxílio-alimentação para professoras e professores, inclusão sem estrutura adequada e o desconto previdenciário de 14% sobre aposentadorias e pensões acima de dois salários mínimos.

A situação dos aposentados virou um dos principais focos da pressão. Entidades do funcionalismo protocolaram na Prefeitura um abaixo-assinado com mais de 10 mil adesões contra o desconto de 14%, medida que os sindicatos classificam como confisco e também apontam como promessa de campanha ainda não cumprida.

A Prefeitura sustenta que tenta conduzir a crise pelo diálogo. Em nota publicada no site oficial, a administração afirmou que manterá a mesa de negociação, fará convocações no banco de aprovados em concurso e no processo seletivo simplificado, prepara novo concurso para 15 carreiras e promete fluxo contínuo para reduzir a falta de professores. Também informa que o descongelamento terá custo anual de R$ 24 milhões e alcançará 22.647 servidores.

Do ponto de vista político, o impasse permanece aberto. A gestão entregou o descongelamento, mas deixou para frente a resposta estrutural sobre carreira. O sindicato cobra solução em 2026; a Prefeitura fala em 2027. Numa rede em que trabalhadores relatam sobrecarga e evasão de profissionais, esse desencontro ajuda a explicar por que a greve deixou de ser hipótese e ganhou data marcada.

Se não houver mudança de posição até quarta-feira (8), Eduardo Pimentel poderá abrir sua gestão na educação sob forte desgaste com o magistério. Na leitura do sindicato, o prefeito entregou apenas uma medida concreta e manteve sem desfecho o restante da pauta apresentada nas negociações.

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