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Lula visita Cristina Kirchner e irrita Milei na Argentina

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz nesta quinta-feira, 3 de julho, um movimento político carregado de simbolismo e tensão ao visitar Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina, condenada e em prisão domiciliar em Buenos Aires.

O encontro ocorre no mesmo dia em que Lula participa da cúpula do Mercosul, marcada pela entrega da presidência temporária do bloco ao Brasil. A visita a Kirchner, sua aliada histórica, não consta na agenda oficial e foi autorizada pela Justiça argentina sob rígidas condições. Cristina cumpre pena por administração fraudulenta e está inabilitada politicamente — acusações que ela e o PT classificam como perseguição judicial.

Nos bastidores, a decisão de Lula é vista como um recado direto a Javier Milei, presidente argentino de extrema direita, com quem o petista tem travado um embate ideológico desde o início do mandato do ultraliberal. Milei já chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, enquanto o brasileiro minimizou os ataques como “bobagem”. Os dois se evitam sistematicamente em fóruns internacionais.

A visita que agita o xadrez político regional

A ida ao apartamento de Kirchner, localizado no bairro de Constitución, expõe a fissura entre o Palácio do Planalto e a Casa Rosada e rouba o protagonismo da cúpula do Mercosul, antes mesmo de seu desfecho. Gabriel Fuks, integrante do União pela Pátria e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Parlasul, vê o gesto de Lula como o prenúncio de uma “grande campanha internacional” em defesa da peronista.

A Justiça determinou que a visita ocorra sem alarde, evitando “perturbações à tranquilidade do bairro”. Missão difícil, considerando a popularidade de ambos e as manifestações diárias em frente ao imóvel. Cristina costuma aparecer na varanda para saudar apoiadores, cena que deve se repetir com Lula.

Mercosul sob sombra do confronto

Na cúpula, além de Lula e Milei, participam os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), Luis Arce (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá). Apesar do clima tenso, avanços técnicos foram registrados, como o acordo de livre comércio com o bloco EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein) e um memorando para integração do gás regional.

O Brasil assume a presidência do Mercosul com a missão de destravar o tratado comercial com a União Europeia, emperrado pela resistência francesa. Mas a visita de Lula a Kirchner ameaça ofuscar as discussões econômicas e reacende o desgaste com Milei.

Integrantes do Itamaraty temem retaliações do argentino, que já barrou a entrada da Argentina no Brics e segue alinhado ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Kirchner, Milei e o embate pelo futuro argentino

Condenada a seis anos de prisão, Cristina Kirchner segue sendo o principal nome da oposição ao governo ultraliberal. Aos 72 anos, mantém forte apoio popular e influência sobre o peronismo, enquanto Milei tenta consolidar seu projeto de desmonte do Estado e privatizações.

A visita de Lula reforça a narrativa de perseguição política contra a ex-presidente e amplia o isolamento diplomático de Milei na América do Sul, onde governos progressistas, como o do Brasil, predominam.

A expectativa é que o gesto de Lula alimente a campanha de vitimização de Kirchner e reverbere além das fronteiras argentinas, inserindo o Brasil como peça no jogo eleitoral vizinho.

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Lula transformou o que seria uma visita protocolar ao Mercosul em um gesto político carregado de simbolismo. Ao estender a mão a Cristina Kirchner, desafia Milei em pleno território argentino e acirra a tensão entre Brasília e Buenos Aires. Para as militâncias peronistas e petistas, o gesto reforça a solidariedade e afronta a extrema direita que tenta se consolidar no continente.

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