O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi a principal figura política no Congresso Nacional do PSB neste domingo (1º), em Brasília, evento que marcou a ascensão de João Campos, prefeito do Recife, à presidência da sigla, substituindo Carlos Siqueira, que comandava o partido por 18 anos.
Em seu discurso, Lula não poupou elogios ao novo líder do PSB e destacou a importância de fortalecer a esquerda unida, reforçando a estratégia de aliança com outros partidos para garantir a estabilidade e avanços legislativos. “A união das forças progressistas é o que nos permitirá seguir com o Brasil no caminho da justiça social e da democracia”, afirmou Lula, deixando claro seu apoio a Campos, que representa uma nova geração no PSB.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, também marcou presença no evento como convidado. Lula aproveitou para destacar a importância de uma relação respeitosa com todos os partidos, incluindo os aliados do centro. O presidente fez questão de mencionar Motta, dizendo que ele “será bem tratado pela esquerda”, reforçando o tom de diálogo e construção de uma frente ampla.
O presidente Lula também comentou a possibilidade de reeleição e disse que tem algumas condições para que isso aconteça no ano que vem.
“Eu tenho dito o seguinte: para que eu seja candidato a reeleição, tem algumas coisas na minha vida. Primeiro, eu tenho que estar 100% de saúde, como eu estou hoje. 100% de saúde. A outra coisa é que eu tenho que nós temos que construir um programa, ou seja, o que a gente quer construir nesse país?”, declarou.
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O presidente então falou da disputa pelo orçamento público. “Porque se a gente ficar brigando com orçamento todo ano, é muito ruim gente. Todos os governadores, prefeitos e presidentes da República vivem brigando com o orçamento”.
“A gente faz um orçamento para fazer uma coisa, depois tem que cortar porque o dinheiro é curto, depois tem que cortar porque não tem dinheiro, é um inferno. A gente tem que fazer um programa, o que é que nós queremos entregar para esse país nos próximos anos?”, discursou o mandatário.
A fala de Lula sobre a necessidade de ampliar a base aliada no Congresso Nacional também não passou despercebida. Precisamos ganhar maioria no Senado, senão vão avacalhar o STF“, declarou, demonstrando preocupação com o fortalecimento da oposição e com a instabilidade institucional gerada por ataques constantes à Corte Suprema.
“Se esses caras elegerem a maioria dos senadores, eles vão fazer uma muvuca nesse país (…) Precisamos ganhar maioria no Senado, senão esses caras vão avacalhar a Suprema Corte”, disse o presidente.
O congresso do PSB, sob a nova presidência de João Campos, representou uma virada na estratégia política da legenda, que busca se firmar como protagonista nas articulações eleitorais para 2026. Em seu discurso, Campos fez questão de ressaltar que a chave para o sucesso nas eleições futuras está na continuidade das alianças construídas em 2022, destacando a importância da aliança com o PSB e outros setores da esquerda.
Com um olhar atento às disputas futuras e ao cenário legislativo atual, Lula, Campos e Motta simbolizam a diversidade de forças políticas que deverão moldar os próximos capítulos da política brasileira.
Principais Declarações de Lula no Congresso Nacional do PSB
1. Defesa das Instituições Democráticas e do STF
Lula enfatizou a importância de preservar as instituições que sustentam a democracia brasileira, destacando o Supremo Tribunal Federal (STF) como uma dessas entidades fundamentais:
“Precisamos preservar as instituições que defendem a democracia desse país. Se a gente for destruir tudo aquilo que a gente não gosta, não vai sobrar nada.”
2. Necessidade de Maioria no Senado para Evitar Retrocessos
O presidente alertou sobre os riscos de a extrema direita conquistar maioria no Senado nas eleições de 2026, o que, segundo ele, poderia levar a ataques às instituições democráticas:
“Se esses caras [de extrema direita] elegerem maioria de senadores, eles vão fazer uma muvuca nesse país.”
3. Críticas ao Governo dos Estados Unidos e Defesa de Alexandre de Moraes
Lula criticou o governo dos Estados Unidos por considerar sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, em razão de decisões judiciais que afetaram plataformas digitais sediadas nos EUA:
“Os EUA querem processar o Alexandre de Moraes porque ele quer prender um cara brasileiro que está lá nos EUA fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro.”
4. Elogios a Hugo Motta e Chamado ao Diálogo com o Congresso
Apesar das divergências recentes sobre o aumento do IOF, Lula elogiou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e defendeu a importância do diálogo entre o Executivo e o Legislativo:
“Considero você uma novidade na política brasileira. Independente do partido que você pertence, teu comportamento e tua eleição como presidente da Câmara é demonstração que, dentre tantas coisas ruins que vivemos, começam a acontecer coisas boas.”
5. Condição para Candidatura à Reeleição em 2026
Lula mencionou que sua decisão de disputar a reeleição dependerá de sua saúde e da construção de um projeto de país:
“Para que eu seja candidato à reeleição, tem algumas coisas na minha vida: primeiro, eu preciso estar 100% de saúde, como eu estou hoje.”
6. Críticas aos Ataques de Israel à Faixa de Gaza
O presidente classificou os ataques de Israel à Faixa de Gaza como “genocídio” e “vingança”, expressando solidariedade ao povo palestino:
“O que estamos vendo não é guerra de dois exércitos. É um exército totalmente profissional matando mulheres e crianças na Faixa de Gaza. Não é uma guerra, é um genocídio.”

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




