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Lula, Gleisi e Requião no mesmo palanque no Paraná

O reencontro público entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada federal Gleisi Hoffmann e o deputado estadual Requião Filho sela, no litoral, uma aliança progressista que volta a ganhar corpo no estado, mesmo após a saída do clã Requião do PT. A cena é política e alvissareira para o campo democrático, com recado direto ao Palácio Iguaçu e ao bolsonarismo.

Neste sábado (31), em Paranaguá, Gleisi e os Requião dividem as mesmas patinhas de caranguejo no Encontro Caiçara, na Ilha dos Valadares. O evento é promovido pelo vereador Angelo Vanhoni, parananguara de nascimento e vereador de Curitiba, e mistura cultura, debate político e identidade caiçara.

Há dois anos, o chefe do clã, o senador Roberto Requião deixou o PT. A ruptura formal não significou mudança de campo. Pai e filho seguem jogando na quadra progressista, agora no PDT, fazendo oposição ao governador Ratinho Júnior (PDT) no Paraná e ao bolsonarismo no plano nacional. O palanque compartilhado materializa essa convergência prática.

Nos bastidores, a leitura é pragmática. O eixo Lula–Gleisi–Requião organiza a oposição estadual, amplia a capilaridade no litoral e sinaliza que 2026 será disputado com alianças amplas à esquerda e no centro progressista.

A conjuntura ajuda. Segundo pesquisa da Futura divulgada nesta sexta (30), Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar na corrida pelo governo do Paraná. No mesmo levantamento, Gleisi estreia com até 17% na disputa ao Senado, índice que indica fôlego real para buscar uma das duas vagas.

O dado reforça o cálculo político do encontro. Para o PT, Gleisi entra competitiva. Para o PDT, Requião Filho consolida posição. Para Lula, o palanque unificado organiza o campo aliado no estado.

A escolha da Ilha dos Valadares não é casual. O bairro foi o que mais votou em Lula em Paranaguá na última eleição presidencial. Cultura, memória e política se cruzam no mesmo espaço, com fandango, samba, barreado e conversa direta com a população.

O roteiro inclui roda de diálogo com líderes locais, valorização do patrimônio cultural e a defesa de políticas públicas para o litoral, historicamente negligenciado apesar da centralidade do Porto.

O encontro também responde a ruídos. Comentários críticos nas redes convivem com ampla mobilização de militantes e simpatizantes. A aposta dos organizadores é ocupar o território com agenda positiva e conteúdo, sem terceirizar a narrativa.

No pano de fundo, a foto que interessa é a do campo progressista unido, mirando 2026 e sinalizando que o Paraná terá disputa de verdade.

O palanque comum em Paranaguá não apaga divergências passadas, mas aponta para um alinhamento funcional diante de um adversário forte no estado. Política é correlação de forças. No litoral, ela se expressa em cultura, voto e estratégia.

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