Índice de Tópicos
- Tarcísio, Michelle e Ratinho crescem com herança bolsonarista
- Candidatos crescem à medida que são mais conhecidos
- Rejeição e desejo de renovação no centro da disputa
- Direita testa nomes e ganha musculatura eleitoral
- Cenário de segundo turno revela nova correlação de forças
- 2026 será um campo minado para Lula
A última pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta-feira (5), confirma uma tendência que vinha se desenhando nos bastidores: a força de Lula no segundo turno está enfraquecendo. O presidente, que em abril vencia quase todos os adversários com folga, agora aparece tecnicamente empatado com Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Ratinho Junior, Eduardo Leite — e segue travado com Jair Bolsonaro, que continua inelegível.
A mudança de cenário é significativa. Ela não apenas revela a crescente competitividade eleitoral, mas também traduz a fadiga do eleitorado com o embate recorrente entre os mesmos polos políticos. Pela primeira vez desde sua posse, a rejeição ao governo Lula começa a se traduzir em rejeição eleitoral concreta.
Tarcísio, Michelle e Ratinho crescem com herança bolsonarista

A pesquisa aponta que Lula tem 41% das intenções de voto contra 40% de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Contra Michelle Bolsonaro (PL), o petista aparece com 43%, enquanto ela registra 39%. Já com Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, Lula tem 40% e Ratinho, 38%.
Todos os cenários estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais — o que os torna, na prática, empates. O detalhe: todos esses nomes são apadrinhados ou herdeiros do espólio bolsonarista.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, cravou: “A rejeição ao governo está se transformando em rejeição ao Lula.” E, segundo ele, o crescimento dos adversários é proporcional à queda no desconhecimento dos nomes fora do eixo Lula-Bolsonaro.
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Candidatos crescem à medida que são mais conhecidos
Os dados reforçam essa leitura. Em apenas cinco meses:
- O desconhecimento sobre Tarcísio caiu de 45% para 39%.
- Caiado foi de 68% para 62%.
- Ratinho, de 51% para 48%.
- Zema, de 62% para 60%.
A tendência é clara: à medida que os nomes da direita moderada ganham espaço e visibilidade, Lula deixa de ser um oásis de estabilidade frente à extrema direita bolsonarista. A eleição de 2026 começa a se parecer menos com um replay de 2022 — e mais com um terreno fragmentado, disputado palmo a palmo.
Rejeição e desejo de renovação no centro da disputa
A desaprovação ao projeto de reeleição de Lula é expressiva: 66% dos entrevistados afirmam que ele não deveria disputar um novo mandato. Bolsonaro não fica atrás — 65% acham que ele deveria abrir mão da candidatura, mesmo que fosse possível.
Na prática, o eleitor médio quer virar a página. Deseja novos rostos. E esse desejo se manifesta também nas taxas de rejeição:
- Lula é rejeitado por 57% dos eleitores (eram 55% em abril).
- Bolsonaro mantém os mesmos 55%.
- Eduardo Bolsonaro tem 56%.
- Michelle tem 51%, e Tarcísio, 33%.
Já nomes como Romeu Zema (22%) e Ronaldo Caiado (25%) seguem com baixa rejeição — mas enfrentam um problema: são pouco conhecidos nacionalmente.
Direita testa nomes e ganha musculatura eleitoral

Se Bolsonaro não puder concorrer — e os dados indicam que sua inelegibilidade está incorporada à percepção popular —, a direita está longe de órfã. Tarcísio e Michelle aparecem empatados com 17% e 16%, respectivamente, como favoritos para assumir a cabeça de chapa.
Ratinho Jr., uma incógnita até então, também cresce e já aparece com 11%. O outsider Pablo Marçal, que chegou a 11% em abril, caiu para 7%. A direita, portanto, entra em estado de prévias silenciosas, buscando um nome que una conservadorismo, apelo de massas e viabilidade jurídica.
Cenário de segundo turno revela nova correlação de forças
Além dos empates com os nomes da direita tradicional e bolsonarista, Lula ainda venceria, com vantagem modesta, apenas Zema, Caiado e Eduardo Bolsonaro. Mas mesmo nesses cenários, sua margem caiu em relação à rodada anterior.
Os cenários de segundo turno refletem um desgaste paulatino da imagem de Lula, agravado por crises fiscais, desgaste com o Centrão e escândalos no INSS. A Quaest não aponta vencedores, mas sinaliza claramente que o eleitorado está em busca de alternativas.
2026 será um campo minado para Lula
Lula não perdeu apenas terreno. Perdeu a blindagem de favoritismo que sustentava sua hegemonia desde a vitória de 2022. A pesquisa Quaest revela um país dividido, sim, mas também em mutação.
A extrema polarização pode não ser superada, mas será disputada. O centro-direita aparece como alternativa viável, ainda que com baixa densidade nacional. O lulismo, por sua vez, entra em 2026 com o desafio de se renovar — ou será engolido por novos herdeiros do bolsonarismo.
O eleitor quer mudança. E a disputa será entre quem representa o novo e quem ainda tenta se manter como o menos pior.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




