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Pesquisa avisa Lula que 2026 será no osso

O presidente Lula (PT) lidera o primeiro turno da pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (5), mas a eleição de 2026 aparece embolada nas simulações de segundo turno contra quatro nomes da direita e do centro-direita: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador Ciro Gomes (PSDB-CE), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) e o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG).

Lula tem 40% no primeiro cenário estimulado, contra 34% de Flávio Bolsonaro. No segundo cenário, com Ciro Gomes na lista, o presidente aparece com 38%, enquanto Flávio marca 33%. A vantagem petista varia, portanto, de 5 a 6 pontos percentuais.

A fotografia muda no segundo turno. Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula, por 44% a 43%, mas o resultado está dentro da margem de erro. Contra Ciro, Lula empata em 43% a 43%. Contra Caiado, o presidente marca 43%, ante 42% do adversário. Contra Zema, Lula tem 43%, contra 39%.

Os empates em série entregam uma notícia boa e outra ruim para a direita. A boa é que, se qualquer nome oposicionista chegar ao segundo turno, a largada tende a ocorrer no mesmo patamar de Lula, sinal de voto anti-PT cristalizado. A ruim é que a oferta de vários presidenciáveis pode dividir a direita no primeiro turno, embaralhar o voto útil e dar a Lula espaço para tentar matar a disputa antes do segundo turno.

O dado central da pesquisa não é a largada do primeiro turno. É o aviso de que 2026 pode ser decidido na costura dos estados, no peso dos governos locais e na capacidade de cada campo transformar intenção de voto nacional em voto organizado no território.

No Paraná, essa conta passa pelo palanque de Flávio Bolsonaro com Sergio Moro (PL), pelo esforço de Gleisi Hoffmann (PT) para montar uma frente progressista competitiva e pela dúvida sobre o tamanho real da transferência de voto do governador Ratinho Junior (PSD) para seu grupo.

Em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, a pesquisa também fala com a geografia do poder. São os estados que abrigam ou projetam nomes testados contra Lula, como Ciro, Zema e Caiado, além do peso paulista na disputa por televisão, dinheiro, prefeitos e redes partidárias.

A rejeição ajuda a explicar o aperto. Lula é rejeitado por 44% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro é rejeitado por 41%. Os dois concentram a maior resistência do eleitorado, o que mantém a polarização viva, mas limita a folga de cada lado no segundo turno.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 2 e 4 de maio. O levantamento foi contratado pela CNN Brasil, tem margem de erro de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro BR-03627/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os números divulgados são nacionais. Nas publicações consultadas, não há recorte estadual aberto para Paraná, São Paulo, Minas ou Goiás. Por isso, a leitura sobre palanques é política, não uma conclusão regional do instituto.

A esquerda sai da pesquisa com Lula na dianteira, mas sem direito a salto alto. A direita sai com quatro caminhos possíveis para apertar a eleição, mas sem nome capaz de liquidar a fatura antes da campanha real.

O risco para Lula é tratar a vantagem do primeiro turno como colchão. O risco para a direita é praticar canibalismo com a pluralidade de candidaturas e confundir empate técnico com vitória.

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