Lula convoca PT para guerra e exige unidade em 2026

Lula convocou o PT a entrar em “guerra” eleitoral e exigiu unidade interna para 2026, ao dizer que a vitória não virá só de entregas do governo, mas de uma disputa dura de narrativa nas redes e no território. Em Salvador (BA), no aniversário de 46 anos do partido, ele cobrou reação rápida contra mentiras da extrema direita, pediu alianças amplas nos estados e alertou para o risco de a legenda se perder na “vala comum” da política movida a dinheiro.

A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) funciona como senha dupla. De um lado, mobiliza a militância para um pleito que ele descreve como plebiscito do incumbente. De outro, empurra a direção partidária para reduzir ruídos internos e organizar uma mensagem nacional que converse com sentimentos, vida real e bolso.

O pano de fundo é a largada informal da campanha. E a escolha da Bahia mira o eleitorado popular e o Nordeste, base decisiva de 2022, agora convocada a sustentar a reeleição numa conjuntura de redes mais agressivas e de crise de confiança na política.

Unidade interna virou condição de sobrevivência

No discurso, Lula tratou a fragmentação como inimiga íntima. A cobrança por “briga zero” tem endereço certo: disputas locais, correntes e caciques que queimam energia em guerra interna enquanto a extrema direita unifica ataques e agenda.

A resolução política do Diretório Nacional do PT, aprovada na sexta (6), reforça essa linha ao orientar presença cotidiana junto ao povo, fortalecimento dos núcleos de base e territorialização da ação partidária. proposta-de-resolucao-dn-aniver…

O recado também é organizativo. Lula quer partido forte, não culto à personalidade. Na leitura política, isso significa ampliar bancada, puxar renovação e construir capilaridade para sustentar o projeto nacional. proposta-de-resolucao-dn-aniver…

Alianças amplas, sem negar princípios

Lula avisou que o PT não tem força máxima em todos os estados e que, para ganhar, vai precisar compor. A fala resgata o pragmatismo clássico da política, mas tenta impor um limite: aliança como tática, não como rendição programática.

A própria resolução descreve o Congresso como um obstáculo estrutural, conservador e alinhado às elites, além de apontar a captura do orçamento por emendas impositivas e mecanismos herdados do Orçamento Secreto como forma de chantagem sobre o Executivo.

Na prática, Lula está dizendo ao PT para escolher: quer ganhar com maioria social e política, ou quer manter pureza retórica e perder governabilidade no dia seguinte.

Dinheiro, “mercado eleitoral” e o risco da vala comum

O presidente mirou a mercantilização da política, citando custos de campanha e o ambiente em que “dinheiro rola pra tudo quanto é lado”. É um aviso moral e estratégico, porque a extrema direita costuma posar de antissistema enquanto opera com máquinas locais, orçamento capturado e desinformação.

A resolução petista tenta virar o jogo nesse terreno ao defender justiça fiscal como eixo de identidade, com a fórmula “tributar bancos, bets e bilionários e aliviar o bolso de quem vive do trabalho”.

Esse é o tipo de contraste que Lula quer transformar em narrativa nacional: privilégio versus dignidade, renda do trabalho versus renda financeira, Estado para o povo versus Estado sequestrado.

Escala 6×1, tarifa zero e a promessa de vida mais leve

A estratégia indicada pelo PT é combinar combate a privilégios com pautas de cotidiano. A resolução coloca no centro a redução da jornada, o enfrentamento da escala 6×1 e a tarifa zero como política estruturante de justiça social.

O texto vai além e afirma que o partido pretende implementar o fim da escala 6×1 sem redução salarial.

E também “avançar na implementação da tarifa zero”, tratando mobilidade como direito do trabalhador.

Esse pacote conversa com jovens, precarizados e periferias. E abre uma trilha narrativa simples: tempo, transporte e renda disponível.

Big techs, fake news e IA: a guerra que Lula descreveu

Quando Lula fala em “guerra” de eleição, não é metáfora vazia. A resolução reconhece uma arena dominada por big techs, desinformação acelerada e manipulação algorítmica, e defende regulação democrática do ambiente digital.

O documento ainda pede esforço nacional contra fake news e contra uso ilegal de inteligência artificial para garantir eleições transparentes.

Aqui mora o dilema democrático. Combater mentira precisa ser firme, mas sem virar pretexto para censura seletiva ou para naturalizar violência política. O caminho seguro é regra clara, transparência, responsabilização e educação midiática.

Juros, Banco Central e o velho nó do desenvolvimento

A resolução do DN também coloca a política monetária no centro da disputa, defendendo reduzir juros e criticando a autonomia do Banco Central criada no governo Jair Bolsonaro (PL).

O texto afirma que é necessário revisar a meta de inflação para compatibilizar crescimento, emprego e investimento público.

É a tentativa de amarrar economia a sentimento social. Se o custo do dinheiro trava consumo, emprego e política social, a campanha petista pretende disputar esse tema como disputa de projeto de país, não como jargão tecnocrático.

Guerra de narrativa exige método, não vale-tudo

Lula elevou o tom para acordar o PT. A exigência de unidade não é estética, é sobrevivência política. Se 2026 será guerra de narrativa, o campo democrático precisa de organização, presença territorial e mensagem simples, sem cair na lógica do ódio que alimenta a extrema direita.

A vitória, se vier, passa por um PT que fale de dignidade concreta e enfrente privilégios com coragem, mas com democracia, prova e responsabilidade.

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