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Líderes africanos cobram soberania e integração contra o terror

Líderes africanos defenderam soberania, integração regional e controle de fronteiras como resposta ao terrorismo no Sahel, durante o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, aberto nesta segunda-feira (20) e com programação até terça-feira (21), na capital do Senegal.

Na abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, disse que a África sofre os efeitos das crises globais e ainda enfrenta conflitos armados e terrorismo. O fórum reúne representantes de 38 países, entre eles 18 nações africanas, além de delegações de fora do continente.

O encontro, realizado desde 2014 pelo governo senegalês, colocou no centro do debate a ideia de que a segurança africana não pode ser definida fora do continente. Faye afirmou que os recursos naturais da região precisam gerar valor dentro do próprio território, em vez de alimentar apenas indústrias estrangeiras.

O presidente também apontou o Sahel como a área mais atingida pela violência terrorista. O Índice de Terrorismo Global 2026, produzido pelo Instituto para Economia e Paz, diz que a região respondeu por mais da metade das mortes por terrorismo no mundo em 2025.

O estudo cita Mali, Burkina Faso e Níger como os países mais afetados no Sahel central. Segundo o levantamento, os três somam cerca de 4,5 mil atentados nas últimas duas décadas e 17 mil mortes.

Faye defendeu resposta militar, troca de informações e operações conjuntas entre países vizinhos. Para ele, um problema de segurança no Mali também atinge o Senegal, o que exige coordenação entre fronteiras e ação regional.

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, ligou a violência ao abandono da juventude e disse que grupos extremistas recrutam onde o Estado falha. Ele afirmou que investir em jovens é também uma medida de segurança nacional.

Bio, que viveu a guerra civil de Serra Leoa entre 1991 e 2002, disse que paz não é só ausência de tiros, mas vida com dignidade e futuro. Já o presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, afirmou que integração regional é necessidade, não luxo, e defendeu a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) como motor de comércio e circulação de bens e pessoas.

O fórum também discute soberania tecnológica e digital, recursos naturais, transição política e indústria de defesa. O Brasil acompanha o encontro por meio da embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.

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