Na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o bloco inicie negociações com a China para um acordo de comércio com o país asiático.
Segundo Lula, o Mercosul já avança em diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Ele disse ainda que o bloco deve lançar negociações de uma parceria econômica com o Japão e, em breve, fazer o mesmo com a China.
O presidente também criticou o que chamou de “alinhamento automático” e “escolhas excludentes”. “Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul”, afirmou.
Antes da fala, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem aos mortos pelos terremotos na Venezuela. Depois, defendeu os 35 anos do Mercosul em meio a um cenário de protecionismo, guerras e ações unilaterais.
Ele disse que a fragmentação da economia mundial impõe desafios ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável. Lula também afirmou que o Mercosul é uma necessidade estratégica.
O presidente lembrou que, entre 1991 e 2025, o comércio intrabloco cresceu de US$ 4,5 bilhões para US$ 50 bilhões. Disse ainda que as exportações cresceram 6% em 2025, alcançando US$ 770 bilhões.
A única ausência entre os Estados-membros foi a do presidente da Argentina, Javier Milei, que cancelou a viagem a Assunção de última hora.
Na pauta da cúpula também está a criação do novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), em substituição ao atual, considerado insuficiente. O Brasil anunciou que vai destinar US$ 100 milhões por ano ao novo fundo.
Lula afirmou que o aporte será mantido ao longo de uma década e disse que a incorporação da Bolívia ao mecanismo será um passo para reduzir as assimetrias entre os países do bloco.
O Brasil também cobra que a Argentina aumente sua contribuição ao Focem. O Paraguai defende aportes 50% superiores aos do fundo antigo.
Na área de segurança, o Brasil apresentou proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. O país também destacou a implementação, em Buenos Aires, de um escritório regional da Interpol para combate ao crime organizado.
Segundo Lula, o Brasil vai custear por um ano a presença de delegados dos 12 países da região na capital argentina, para ampliar a coordenação contra o tráfico internacional de drogas e o crime organizado.
O Mercosul reconheceu ainda a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do bloco e dos Estados associados.
São Estados-membros do Mercosul a Argentina, a Bolívia, o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela, que está suspensa. São Estados associados o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Panamá, o Peru e o Suriname.
O bloco reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.
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