O ministro Ricardo Lewandowski oficializou sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira (9), após entregar uma carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (8). A decisão marca o fim de uma gestão de quase dois anos, iniciada em fevereiro de 2024, quando o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) assumiu a pasta. A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, e o presidente Lula nomeou um ministro interino para assumir temporariamente as funções.
Lewandowski, que é magistrado aposentado do STF, optou por antecipar sua saída para evitar desgastes políticos em um ano pré-eleitoral e priorizar a vida pessoal. Fontes indicam que Lula tentou convencê-lo a permanecer até fevereiro, mas o ministro manteve sua decisão. Essa é a 15ª troca ministerial no governo Lula, sinalizando o início de uma reforma mais ampla planejada para 2026.
A saída ocorre em um momento sensível para o governo, às vésperas de um ano eleitoral e em meio a debates intensos sobre segurança pública. Ainda não há um sucessor definido, o que abre uma disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT) pela vaga. Analistas apontam que a mudança pode impactar áreas como migrações e o avanço de projetos pendentes, como a PEC da Segurança Pública, que não obteve progressos significativos durante a gestão.
Apesar das críticas por falta de grandes avanços em algumas frentes, a passagem de Lewandowski pelo ministério foi elogiada por figuras destacadas do Judiciário. O ministro do STF Gilmar Mendes publicou uma nota destacando os feitos da gestão:
“A atuação do Ministro Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça foi marcada pelo fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado, ancorado em planejamento, inteligência policial e cooperação entre instituições, reafirmando a centralidade do Estado de Direito na política de segurança pública.
Durante sua gestão, a Polícia Federal conduziu operações de grande relevância contra facções criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, como as operações Tank, Quasar e Carbono Oculto, atingindo diretamente as engrenagens econômicas que sustentam o crime organizado.
No plano institucional, sua passagem pelo Ministério será lembrada pela apresentação da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei antifacção, iniciativas voltadas ao fortalecimento da coordenação federativa e ao aprimoramento dos instrumentos de combate ao crime organizado.
Registro meu reconhecimento ao Ministro Ricardo Lewandowski pelos relevantes serviços prestados ao país.”
Essas operações e iniciativas, segundo Mendes, representam um legado importante no combate ao crime organizado, enfatizando a importância da inteligência e da cooperação institucional.
Lewandowski deixa a pasta sem resolver pendências como o fortalecimento da coordenação federativa na segurança pública, mas sua gestão é vista por aliados como um período de estabilidade e foco no Estado de Direito. O governo agora busca um nome que mantenha o equilíbrio entre repressão ao crime e direitos humanos, em um contexto de crescente pressão por resultados na área de segurança.
O Blog do Esmael segue acompanhando os desdobramentos dessa transição e as implicações para o cenário político brasileiro em 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




