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Finalista do Jabuti, Kotter lança plano para Curitiba

A Kotter Editorial, editora independente sediada em Curitiba, colocou uma obra entre as cinco finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026 e prepara para setembro o lançamento de um livro sobre os conflitos políticos que atravessam o planejamento urbano da capital paranaense.

A indicação veio com Contínuo e contingência 2: Leibniz e a máquina do mundo, da filósofa Vivianne de Castilho Moreira. Publicado pela Kotter, o livro disputa a categoria Filosofia com obras lançadas pelas editoras Loyola, Universidade de São Paulo (Edusp), PUC-Rio, Numa e Editora 34.

A relação oficial dos finalistas confirma a presença da editora curitibana entre casas universitárias e comerciais de alcance nacional. O reconhecimento amplia o espaço de uma empresa situada fora do eixo editorial Rio-São Paulo.

O próximo movimento da editora será o lançamento de Um plano para Curitiba: introdução à política urbana local, da advogada e pesquisadora Mariana Marques Auler. A obra está em pré-venda e tem disponibilidade informada para a primeira quinzena de setembro de 2026.

Com 200 páginas, o livro percorre os ciclos dos Planos Diretores de Curitiba e examina as disputas políticas que moldaram o território da capital. A análise parte da construção da imagem de “cidade-modelo” e chega ao discurso contemporâneo da smart city, sem reduzir o planejamento urbano a uma decisão exclusivamente técnica.

A autora é mestre em Direito do Estado e doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo a apresentação da editora, Mariana Auler atua há mais de dez anos com políticas urbanas e ambientais, conflitos fundiários coletivos, planejamento territorial e gestão de projetos.

O trabalho teve apoio de Bruno Meirinho, advogado, ex-candidato à Prefeitura de Curitiba e antigo colunista do Blog do Esmael. Meirinho publicou nesta página análises sobre mobilidade, transporte coletivo, direitos urbanos e disputas políticas na capital.

Em uma de suas colunas, Bruno Meirinho criticou a gestão da Urbanização de Curitiba (Urbs). Também escreveu sobre o golpe militar de 1964 e abordou o conflito ambiental envolvendo a Essencis em Curitiba.

A colaboração tem relação com uma trajetória anterior. Em 2015, Mariana Auler e Bruno Meirinho participaram da obra coletiva O mito do planejamento urbano democrático: reflexões a partir de Curitiba, organizada por Luana Xavier. A publicação discutiu os limites da participação popular na revisão do Plano Diretor e o conflito entre o direito à cidade e os interesses que controlam o uso do solo.

O novo livro chega durante outra revisão do Plano Diretor de Curitiba. A coincidência dá consequência política ao lançamento: discutir planejamento urbano significa decidir quem terá acesso à moradia, ao transporte coletivo, aos equipamentos públicos, às áreas verdes e às oportunidades distribuídas pela cidade.

A obra não apresenta Curitiba como produto publicitário. Seu objeto é a cidade marcada pela disputa entre regiões valorizadas e periferias, transporte coletivo e automóvel, preservação ambiental e ocupação imobiliária. Esse conflito define quem recebe os benefícios do planejamento e quem suporta seus custos.

O lançamento recoloca o debate urbano no terreno da política. Planos diretores, regras de zoneamento e projetos de mobilidade em Curitiba distribuem recursos públicos, valorizam terrenos e condicionam o acesso da população aos serviços urbanos.

Acompanhe no Blog do Esmael o debate sobre o futuro urbano de Curitiba.

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