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A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, natural de Niterói (RJ), não resistiu aos ferimentos após cair de um barranco no Monte Rinjani, na Ilha de Lombok, Indonésia. A confirmação veio nesta terça-feira (24), após dias de buscas marcados por falhas, versões conflitantes e denúncias de negligência no resgate.
Juliana, que estava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro, fazia a trilha do Rinjani ao lado de outros seis turistas e dois guias. Segundo a família, ela foi abandonada pelo guia após se sentir mal e pedir para descansar. “Ele seguiu em frente e a deixou sozinha. Quando voltou, ela já havia caído”, relatou a irmã, Mariana Marins.
O caso expôs fragilidades na estrutura de turismo de aventura da região, bastante procurada por brasileiros e estrangeiros. O Monte Rinjani, com 3.721 metros de altitude, exige preparo e pernoite. Juliana teria se desesperado ao ficar sozinha no caminho e caiu cerca de 650 metros — o equivalente a mais do que a altura do Cristo Redentor.
Lula e Janja se manifestam
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou solidariedade à família de Juliana e destacou o apoio do governo brasileiro no caso:
“Recebi com muita tristeza a notícia da morte de Juliana Marins após queda durante trilha no vulcão Rinjani. Nossos serviços diplomáticos e consulares na Indonésia seguirão prestando todo o apoio à sua família neste momento de tanta dor. E quero expressar a minha solidariedade à sua família – solidariedade que, tenho certeza, também é de todo o povo brasileiro. Que Deus conforte seus corações”, declarou o presidente.
A primeira-dama Janja Lula da Silva também se pronunciou nas redes sociais. Em tom emocionado, exaltou o “espírito livre e o sorriso largo” da jovem e lamentou a perda precoce.
“Quando uma mulher tão jovem, de espírito livre e sorriso largo, como Juliana, nos deixa, fica toda a tristeza de momentos não vividos. Mas também reverbera em nós a inspiração por toda a força e coragem que ela teve de realizar seus sonhos e viver com entusiasmo”, escreveu Janja.
Versões contraditórias e imagens forjadas
O guia responsável, Ali Musthofa, de 20 anos, negou que tenha abandonado a jovem. Disse ter se adiantado apenas “três minutos” e voltado ao notar a ausência dela, quando encontrou sinais da queda. Imagens de drone feitas por outros turistas mostraram Juliana ainda com vida no barranco, o que mobilizou uma corrida internacional por resgate.
Mas o drama se agravou com informações falsas. Vídeos circulando nas redes sociais indicavam que ela teria recebido comida e agasalhos, o que não aconteceu. Até o embaixador do Brasil na Indonésia repassou dados incorretos, conforme admitiu à família em áudio revelado pelo Fantástico.
O terreno instável, as mudanças bruscas no tempo e a falta de equipamentos adequados atrasaram o socorro. As equipes só conseguiram alcançar o local onde Juliana estava na noite desta terça, quando seu óbito foi oficialmente confirmado.
Indignação e cobrança por justiça
A família da brasileira promete buscar responsabilização. “Minha irmã morreu porque foi abandonada, e o resgate demorou dias”, lamentou Mariana. O Itamaraty informou que acompanha o caso e presta assistência à família.
O episódio reacende o alerta sobre a segurança de turistas brasileiros no exterior e a vulnerabilidade diante de aventuras vendidas como inofensivas. Sem fiscalização rígida e preparo adequado, o sonho de explorar o mundo pode acabar em tragédia.
Caminhos para evitar tragédias
- Escolha de guias certificados: Opte por agências reconhecidas internacionalmente, com histórico de resgates e autorização local.
- Planejamento técnico: Verifique condições do tempo e relevo. Levante nível de risco e equipamentos indispensáveis.
- Consciência do turista: Muitas trilhas são vendidas como “fáceis”, mas exigem preparo físico e mental. Evite seguir apenas a empolgação.
- Apoio diplomático: Registre-se no site do Itamaraty via Cadastro de Brasileiros no Exterior (CBE). Isso acelera ação em emergências.
Riscos reais em trilhas na Ásia expostos após tragédia de Juliana Marins
A queda fatal de Juliana Marins, de 26 anos, no Monte Rinjani, Indonésia, trouxe à tona falhas estruturais no turismo de aventura asiático. A morte da brasileira, encontrada quatro dias após o acidente, revela que o risco vai além de roteiros idealizados — há pouca segurança, resgate precário e guias sem preparo.
Acidente no Monte Rinjani
Juliana fazia mochilão pela Ásia desde fevereiro, acompanhada por um grupo e guia no Monte Rinjani. No dia 21 de junho, ela escorregou em um trecho com visibilidade reduzida e caiu cerca de 600 m abaixo da trilha. Foi localizada por drone, viva, com resgate interrompido por neblina e terreno instável. Morreu quatro dias depois. A família denunciou desinformação sobre o oferecimento de comida e água por parte das equipes.
Padrão de precariedade
Embora relatos pessoais ainda não tenham sido registrados em fontes jornalísticas confiáveis, o caso já sinaliza falhas sistemáticas: trilhas sem suporte para resgate rápido, clima imprevisível e práticas de guias que priorizam seguir o grupo mesmo diante de cansaço de participantes. Casos anteriores no mesmo local mostram que o risco perpassa incidentes isolados.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




