O governador Ratinho Junior (PSD) saiu do fechamento da janela partidária em posição mais frágil do que o Palácio Iguaçu imaginava. Segundo apuração preliminar do Blog do Esmael, a conta aberta após sexta-feira (3) aponta perda de força política, risco de maioria mais apertada na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e uma base sem acordo sobre o nome que herdará o projeto governista. A janela de 2026 correu de 5 de março a 3 de abril, dentro do calendário já fixado pela Justiça Eleitoral para a eleição de 4 de outubro.
O estrago político não foi pequeno. Alexandre Curi deixou o PSD e assinou filiação ao Republicanos na quarta-feira (1º), depois de esperar sem sucesso um gesto de Ratinho sobre a sucessão. Dois dias depois, Ney Leprevost também trocou o União Brasil pelo Republicanos. Antes disso, Rafael Greca já havia deixado o PSD e migrado para o MDB, levando consigo outro polo de pressão sobre o governador.
O ponto da discórdia atende pelo nome de Guto Silva. Ratinho o trata há meses como favorito, e o próprio Guto deixou a Secretaria das Cidades em quarta-feira (1º), ainda à espera da bênção final do governador. Segundo apuração do Blog do Esmael, é justamente nesse nome que a base começa a ranger: partidos que sustentaram o governo avisaram que não cerrarão fileiras se o escolhido for Guto.
Dentro do próprio PSD, o mal-estar deixou de ser cochicho. Segundo o Blog do Esmael, ao menos metade do partido, mesmo sem debandada formal, já não acompanha automaticamente a vontade do chefe do Executivo. Em outras palavras, Ratinho continua com a caneta, mas já não dispõe do mesmo poder para impor sozinho um prato-feito ao campo governista.
Do outro lado, Alexandre Curi não ficou parado. Depois de migrar para o Republicanos, ele anunciou uma rodada de encontros regionais para consolidar a pré-candidatura nos 399 municípios do estado. Greca, por sua vez, deixou o secretariado, foi para o MDB e voltou a se apresentar como opção real ao Palácio Iguaçu. Nos bastidores, a chapa Curi-Greca, ou Greca-Curi, passou a circular como saída mais palatável para parte relevante da base do que a hipótese Guto Silva.
A federação União Progressista também entrou na disputa pela sucessão. Ricardo Barros já celebrou a saída de Sergio Moro da federação e afirmou que o grupo agora está livre para escolher seu caminho nas convenções. No bastidor, a sinalização inicial aponta para Alexandre Curi. Se esse entendimento fracassar, o campo pode acabar empurrado para a candidatura de Moro no PL.
Nada está resolvido. O balanço oficial virá na segunda-feira (6), quando os partidos farão a contagem de garrafas e a nova geometria da ALEP aparecerá sem maquiagem. O que a janela partidária já mostrou é outra coisa: Ratinho entrou em abril obrigado a negociar mais e mandar menos.
Se insistir em Guto contra a aritmética da própria base, o governador pode descobrir cedo que o problema do pós-janela não é apenas escolher um candidato. É manter de pé o bloco que o levou até aqui.
Ou Guto Silva é o “acordo branco” entre Ratinho e Moro? A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




