Em um movimento que surpreendeu aliados e adversários, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirmou nesta terça-feira (22) sua intenção de ser o candidato da direita à Presidência da República em 2026.
A declaração foi feita durante um almoço em São Paulo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), candidato à reeleição.
Bolsonaro, mesmo declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030 por abuso de poder político e econômico, mostrou-se confiante em reverter sua situação jurídica.
Quem é o substituto de Lula na política? Não tem. De Bolsonaro? Tem um montão por aí. Eu colaborei para formar lideranças, estou muito feliz com isso”, afirmou o ex-presidente, enfatizando seu papel na formação de novas lideranças conservadoras.
Ao ser questionado sobre quem seria o candidato da direita em 2026, ele foi enfático:
“O nome é Messias”, referindo-se ao seu próprio nome do meio.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), presente no evento, reforçou:
“O candidato a presidente é Bolsonaro”.
No dia 21 de fevereiro, em entrevista exclusiva ao Blog do Esmael, o ex-presidente Bolsonaro disse que, permanecendo sua inelegibilidade, o candidato da direita seria o governador Tarcísio de Freitas.
Esta foi a primeira aparição direta de Bolsonaro na campanha de Ricardo Nunes, que busca a reeleição na maior cidade do país.
O ex-presidente avaliou o encontro como “nota 10” e demonstrou confiança na vitória do prefeito. Tarcísio de Freitas também considerou positiva a participação de Bolsonaro:
A militância está muito animada, e eu estou sentindo isso na rua, acho que ajudou sim.
O apoio de Bolsonaro a Nunes sinaliza uma tentativa de fortalecer a direita em São Paulo, ampliando a base política para as próximas eleições nacionais.
Apesar de sua inelegibilidade atual, Bolsonaro parece determinado a manter sua influência e presença no cenário político.
Enquanto Bolsonaro e Nunes almoçavam em uma churrascaria, o candidato Guilherme Boulos (PSOL) participava de um almoço com moradores de rua no centro da cidade.
Boulos não poupou críticas à aliança entre o prefeito e o ex-presidente.
Meu adversário está almoçando num banquete com Jair Bolsonaro e um grupo de empresários. Isso é simbólico do que está em jogo nesse segundo turno“, declarou.
Boulos posicionou-se como o candidato que olha para os mais necessitados, em contraste com o que chamou de “ideologia de ódio da extrema direita”.
Durante um debate público na região da Sé, ele chegou a repreender sua própria militância por vaiar um apoiador de Nunes, pedindo respeito e afirmando que todos têm direito à opinião.
“Diferente do outro lado, a gente respeita quem pensa diferente”, afirmou.
A movimentação de Bolsonaro neste momento político levanta questionamentos sobre suas reais intenções e estratégias.
Mesmo inelegível, ele se posiciona como líder incontestável da direita, talvez buscando manter sua relevância e influência sobre o eleitorado conservador.
O apoio a Ricardo Nunes pode ser visto como uma tentativa de consolidar forças em São Paulo, estado-chave nas eleições nacionais.
Por outro lado, a postura de Boulos indica uma campanha focada em pautas sociais e na crítica ao que ele considera ser a manutenção de privilégios e políticas excludentes.
A presença de Tarcísio de Freitas ao lado de Bolsonaro reforça a unidade dentro do espectro político de direita, mas também pode gerar desgaste, dada a situação jurídica do ex-presidente.
Resta saber como o eleitorado paulistano irá reagir a essas alianças e declarações nos próximos dias que antecedem o segundo turno.
O eleitor, mais uma vez, é chamado a refletir sobre os rumos que deseja para o país e para suas cidades.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




