O Ministério das Relações Exteriores (MRE) entrou em 10 de julho nos cinco dias finais para tentar impedir que os Estados Unidos imponham uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. A ameaça alcança cerca de 4,2 mil itens e US$ 15 bilhões em exportações, enquanto a indústria do Paraná calcula que aproximadamente US$ 1 bilhão em vendas estaduais pode ser afetado.
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A pressão ganhou peso político depois que a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram uma manifestação conjunta em defesa de uma saída negociada.
A carta, apresentada em 9 de julho, foi encaminhada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao chanceler Mauro Vieira; ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer; e ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O documento propõe uma negociação em duas etapas. A prioridade imediata é encerrar a investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 de sua legislação comercial sem a aplicação de novas tarifas. A segunda fase trataria de acesso a mercados, propriedade intelectual, minerais críticos, cadeias de suprimentos, segurança energética e cooperação regulatória.
O Itamaraty informou que continua empenhado no diálogo com Washington. O prazo legal apontado para a definição das medidas norte-americanas termina em 15 de julho. A audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ocorreu em 6 e 7 de julho, depois do encerramento do período para manifestações escritas.
A carta empresarial não garante um acordo. Ela muda, porém, a correlação de forças porque reúne representantes do setor produtivo dos dois países contra uma medida que pode encarecer insumos e mercadorias também para empresas e consumidores dos Estados Unidos.
A CNI estima que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, responsáveis por aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, podem ser alcançados pela nova cobrança. A entidade calculou ainda que, somadas diferentes medidas tarifárias em discussão ou já vigentes, mais da metade das vendas brasileiras aos Estados Unidos poderia ficar submetida a algum tipo de taxação adicional.
No Paraná, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apresentou defesa própria ao governo americano. A entidade calcula que a tarifa pode atingir cerca de 80% das exportações da indústria paranaense para os Estados Unidos.
Os produtos relacionados pela Fiep representam aproximadamente US$ 1 bilhão dos US$ 1,3 bilhão exportados pela indústria estadual ao mercado americano em 2025. A lista inclui compensados, molduras, madeira serrada, pisos, portas, móveis, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filés de tilápia, couro bovino, enzimas, resinas, dextrinas e equipamentos ortopédicos.
A Fiep também pediu que produtos metalmecânicos já alcançados pela Seção 232 não recebam uma segunda cobrança pela Seção 301. A sobreposição elevaria o custo para exportadores paranaenses e para compradores norte-americanos.
Os números divulgados, entretanto, ainda não mostram quanto cada cadeia produtiva vende, quais municípios concentram as fábricas, quantos empregos dependem diretamente do mercado norte-americano nem quais empresas podem reduzir turnos, investimentos ou produção.
Esse detalhamento precisa ser apresentado pelo governo de Ratinho Junior (PSD), pela Fiep, pelas cooperativas e pela bancada federal do Paraná. A lista deve informar o código tarifário de cada produto, o valor exportado, os municípios envolvidos e a quantidade de postos de trabalho expostos.
O governador não negocia tarifas em nome do Brasil, atribuição do governo federal, mas administra políticas estaduais de indústria, emprego, crédito e desenvolvimento regional. Esperar apenas a decisão de Brasília deixaria trabalhadores e empresas sem um plano para perda de contratos, queda de produção ou necessidade de buscar outros mercados.
A tarifa também não torna automaticamente os produtos mais caros dentro do Brasil. A cobrança ocorre na entrada da mercadoria nos Estados Unidos. O importador norte-americano pode repassar o custo, pressionar o exportador a reduzir preços ou substituir o fornecedor brasileiro.
Para o Paraná, o risco imediato é a perda de pedidos. Uma fábrica que não consegue transferir os 25% para o comprador pode cortar sua margem, diminuir a produção ou suspender investimentos. O impacto chega ao trabalhador por meio do emprego, da renda e da atividade econômica dos municípios exportadores.
Existe possibilidade real de exceção porque a proposta americana já preserva 1.698 códigos tarifários, entre eles itens de café, carne e suco de laranja. Isso não significa que todas as versões desses produtos estejam protegidas. Café em grão e café instantâneo, por exemplo, podem ocupar classificações diferentes. A resposta depende do código exato utilizado na exportação.
A Fiep tenta ampliar essa lista para incluir os produtos paranaenses apresentados em sua defesa. Não existe, até a decisão norte-americana, garantia de que o pedido será aceito.
A disputa entrou na fase em que declarações genéricas sobre defesa da indústria perderam utilidade. Até 15 de julho, Ratinho Junior, a Fiep, as cooperativas e os parlamentares do Paraná precisam informar quais cadeias estão na mesa de negociação, quanto dinheiro está em jogo e quais medidas serão adotadas se a tarifa for confirmada.
O Blog do Esmael acompanhará a decisão dos Estados Unidos e as respostas das autoridades paranaenses. Trabalhadores, sindicatos e empresas atingidos podem encaminhar informações sobre contratos, produção e empregos expostos à nova tarifa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




