Uma falha na Meari Technology expôs 1,1 milhão de câmeras e babás eletrônicas em 118 países, segundo investigação publicada pelo The Verge. O caso acende um alerta sobre privacidade, segurança digital e o risco de imagens domésticas ficarem acessíveis sem autorização.
De acordo com a reportagem, o pesquisador Sammy Azdoufal encontrou acesso remoto aos dispositivos ao inspecionar o aplicativo Android da empresa. Ele disse ter extraído uma chave única que abriu a porta para milhares de aparelhos e para fotos armazenadas em servidores do Alibaba.
A Meari é uma fabricante chinesa de marca branca, cujos equipamentos aparecem vendidos sob diferentes nomes no mercado. A reportagem cita marcas como Arenti, Anran, Boifun, ieGeek, Wyze, Zhiyun, Intelbras e Petcube, mas não afirma que todas tenham sido afetadas da mesma forma.
O ponto mais grave, segundo Azdoufal, foi a combinação de senhas fracas e arquitetura insegura. Em alguns casos, as credenciais padrão ainda estavam ativas, incluindo “admin” e “público”, o que facilitava o acesso indevido.
A própria empresa admitiu parte do problema. Em resposta ao The Verge, um porta-voz não identificado da equipe de segurança da Meari afirmou que invasores poderiam interceptar mensagens transmitidas pela plataforma EMQX IoT sem autorização do usuário.
A empresa disse ainda ter desligado a plataforma, trocado nomes de usuário e senhas e orientado clientes a atualizar os dispositivos para o firmware mais recente. Segundo a Meari, apenas versões abaixo de 3.0.0 estariam afetadas.
Mesmo assim, a reportagem aponta lacunas importantes. A empresa não informou quantas câmeras estavam vulneráveis, se os parceiros avisaram os consumidores, se houve abuso das falhas ou o que impedia um funcionário de espionar usuários em outro país.
No caso da Intelbras, a empresa informou por meio da porta-voz Kennya Gava que trabalhou com a Meari em três campainhas de vídeo Wi-Fi e que menos de 50 unidades tinham uma vulnerabilidade potencial. Já a Wyze disse que usa hardware da Meari em parte de suas câmeras externas, mas mantém software e contas próprias nos Estados Unidos.
O episódio mostra um problema conhecido e recorrente no mercado de dispositivos conectados: quando a segurança é mal feita, a câmera que deveria proteger a casa vira uma janela aberta para estranhos. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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