Guerra derruba aviões dos EUA, Trump em fúria

Dois aviões militares dos Estados Unidos caíram na guerra contra o Irã, com um tripulante ainda desaparecido, enquanto Teerã manteve o Estreito de Ormuz sob forte restrição e liberou apenas navios com cargas essenciais para seus portos. O novo aperto no gargalo energético devolveu o petróleo ao centro da crise e recolocou o diesel, o frete e a inflação brasileira na linha de impacto.

A Reuters informou que o fogo iraniano derrubou um caça F-15E de dois lugares. Em outro episódio, um A-10 atingido caiu no Kuwait. Um dos tripulantes foi resgatado, mas outro seguia desaparecido até sábado (4), enquanto helicópteros americanos enviados à operação de busca também foram alvejados ao entrar na área.

O peso disso vai além do campo militar. Ormuz, que normalmente carrega cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo, segue como a principal alavanca de Teerã. Na prática, o Irã afrouxou só o suficiente para deixar passar embarcações com cargas essenciais destinadas a seus próprios portos, sem desmontar o estrangulamento do corredor marítimo.

O mercado respondeu com prêmio de guerra. Nos últimos dias, o Brent voltou a rondar a faixa de US$ 115 por barril, embora tenha fechado a US$ 109,03 em 2 de abril, depois de já ter encostado em níveis próximos de US$ 120 ao longo do choque. Neste sábado, a própria Reuters registrou autoridades citando o barril “em cerca de US$ 115” como referência do novo estresse global.

Para o Brasil, a conta chega pelo diesel antes de qualquer outra rubrica. Reportagens do Blog do Esmael mostraram em março que o país importa algo entre um quarto e quase um terço do diesel que consome, o bastante para deixar o frete, o campo e a logística mais expostos quando o barril sobe e Ormuz trava.

O governo e a Petrobras já vinham tentando amortecer esse repique. A estatal abriu volumes extras de 70 milhões de litros de diesel S10 e 95 milhões de litros de gasolina para abril, fora leilão, justamente para conter a pressão interna. No querosene de aviação, o choque já virou reajuste: a Petrobras anunciou alta de 54,8% a partir de 1º de abril, com parcelamento para distribuidoras.

Nem assim o problema desaparece. Em 13 de março, o Ministério da Fazenda elevou a projeção oficial de inflação de 2026 de 3,6% para 3,7% ao incorporar um petróleo mais caro no cenário. Se Ormuz continuar semiobstruído e o conflito seguir derrubando aeronaves e ampliando o risco militar, o Brasil continuará importando não só combustível caro, mas instabilidade para a economia inteira.

O fato central deste sábado é simples: a guerra saiu do mapa e entrou de novo no bolso. Quando dois aviões dos EUA tombam, Ormuz continua estrangulado e o Brent ronda US$ 115, o reflexo aqui tende a aparecer na bomba, na estrada e na inflação.

Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a queda dos aviões transforma a guerra em desgaste político imediato. Depois de prometer um desfecho rápido, ele agora enfrenta o sumiço de um militar da Força Aérea, a exposição de vulnerabilidades americanas no céu iraniano e uma nova escalada de Israel sobre Teerã, combinação que ajuda a explicar a fúria da Casa Branca e empurra Washington para uma resposta sob pressão, justamente quando Ormuz continua travando o petróleo e espalhando a crise para além do campo de batalha.

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