O governo federal revogou a norma da Receita Federal que ampliava a fiscalização sobre movimentações financeiras, incluindo o Pix. A decisão ocorre após forte repercussão negativa e disseminação de fake news, que geraram confusão e oportunismo por parte de golpistas. A revogação foi anunciada pelo secretário da Receita, Robison Barreirinhas, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
A medida obrigava fintechs e operadoras de pagamento a informarem movimentações financeiras acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas. Embora a Receita tenha garantido que a norma visava combater crimes como sonegação e lavagem de dinheiro, a oposição e desinformações nas redes sociais ampliaram temores de que o Pix seria taxado. O governo reafirmou que a coleta de dados respeita o sigilo bancário e não afeta trabalhadores informais ou pequenos empreendedores.
Além da revogação, o governo anunciou uma Medida Provisória (MP) que garantirá a gratuidade e o sigilo do Pix. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a MP busca blindar o meio de pagamento contra mentiras e reforçar sua equiparação ao uso de dinheiro em espécie. Haddad criticou a desinformação e anunciou ações judiciais contra os responsáveis por espalhar fake news e promover golpes envolvendo o Pix.
Um dos principais fatores para o recuo foi o impacto de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ultrapassou 100 milhões de visualizações. No vídeo, o parlamentar sugeriu que a fiscalização poderia levar à taxação do Pix, gerando pânico. O Planalto reconheceu que a narrativa ganhou força devido a uma gestão deficitária da comunicação governamental, motivando mudanças na chefia da Secretaria de Comunicação.
Com a revogação da norma, volta a valer o modelo anterior, em que bancos tradicionais já compartilhavam dados financeiros de movimentações acima de R$ 2 mil. O governo argumenta que a medida buscava estender a regra às fintechs, hoje responsáveis por uma parcela significativa do mercado financeiro.
O governo pretende abrir diálogo com o Congresso para consolidar o projeto de Estado na área fiscal, equilibrando a necessidade de combater crimes financeiros e preservar a privacidade dos cidadãos. A Advocacia-Geral da União (AGU) já notificou a Polícia Federal para investigar golpistas e autores de desinformação, classificados como criminosos contra a economia popular.
O recuo reflete a complexidade de implementar medidas fiscais em um ambiente polarizado e vulnerável à desinformação. A resposta rápida do governo indica preocupação em recuperar a confiança popular e blindar o Pix, ferramenta essencial para a inclusão financeira no Brasil.
Essa movimentação revela não apenas a força das redes sociais na formação da opinião pública, mas também os desafios de equilibrar transparência e segurança em políticas fiscais.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




