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Gleisi culpa Flávio Bolsonaro por tarifa que ameaça o Paraná

A deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta quinta-feira, 16 de julho, que a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos ameaça fábricas e empregos do Paraná, com maior risco para a cadeia da madeira. A cobrança começa em 22 de julho sobre mercadorias brasileiras que ficaram fora da lista de exceções do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O Paraná vende, em média, US$ 1,5 bilhão por ano ao mercado norte-americano. Levantamento da Secretaria da Fazenda e da Receita Estadual identificou aproximadamente 700 empresas com mais de 1% do faturamento ligado às exportações para os Estados Unidos. Entre elas, 16 obtêm mais de 90% da receita nesse mercado.

“A decisão anunciada em Washington pode atingir parte da economia do país e muito da economia do nosso estado”, declarou Gleisi. A petista acusou integrantes da família Bolsonaro de subordinarem empresas, empregos e interesses nacionais ao projeto eleitoral do grupo.

Gleisi atribuiu a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro a articulação política que teria incentivado medidas econômicas contra o Brasil. A responsabilização é uma acusação da parlamentar. O ato oficial dos Estados Unidos não cita a família Bolsonaro como fundamento jurídico da tarifa.

O USTR sustenta que a cobrança responde a práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano em áreas como serviços digitais, meios de pagamento, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta essas conclusões.

O histórico político, porém, alimenta a ofensiva de Gleisi. Em 2025, Eduardo Bolsonaro defendeu publicamente tarifas americanas como instrumento de pressão relacionado às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O filho de Jair Bolsonaro chegou a apresentar o anúncio de Donald Trump como resultado de suas negociações nos Estados Unidos.

A posição de Flávio Bolsonaro sobre a nova cobrança exige uma distinção. Durante audiência em Washington, em 7 de julho, o senador se manifestou contra a tarifa de 25% e pediu a suspensão da medida por 180 dias. A proposta adiaria a cobrança para depois da eleição presidencial de 4 de outubro, mantendo aberta a disputa comercial.

Gleisi também acusou Flávio Bolsonaro de tratar o Pix e as terras raras brasileiras como instrumentos de negociação com o governo estrangeiro.

A parlamentar contestou ainda a justificativa econômica de Washington. Segundo cálculos apresentados pelo governo brasileiro em 2025, os Estados Unidos acumularam superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos. O dado enfraquece a alegação de prejuízo decorrente de déficit comercial, mas o USTR baseou a decisão principalmente em acusações sobre práticas regulatórias e comerciais não tarifárias.

A indústria da madeira concentra a exposição paranaense. Molduras, compensados, madeira serrada, pisos, portas e móveis representam, segundo os dados apresentados por Gleisi, aproximadamente 40% das vendas do estado aos Estados Unidos.

Os levantamentos estaduais confirmam que madeira e derivados lideram a pauta paranaense destinada ao mercado americano. A cadeia emprega mais de 38 mil trabalhadores em 266 municípios, com presença relevante nos Campos Gerais, no Norte Pioneiro e no Centro-Sul.

A tarifa pode reduzir margens, interromper pedidos e fechar turnos em empresas que desenvolveram produtos específicos para compradores norte-americanos. A troca rápida de mercado é mais difícil para portas, molduras, móveis e peças fabricadas conforme medidas, normas técnicas e padrões comerciais dos Estados Unidos.

Gleisi afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuará tentando incluir madeira serrada, móveis e outros produtos na lista de exceções. O USTR declarou que permanece aberto à continuidade das negociações, embora a cobrança já esteja programada para começar em 22 de julho.

O material divulgado pela parlamentar menciona R$ 45 bilhões em linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. O dado público mais recente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registra R$ 19,6 bilhões em apoio aprovado pelo programa em 2025, dos quais R$ 10,8 bilhões foram desembolsados. A diferença exige detalhamento sobre eventuais novas dotações ou limites de crédito ainda não contratados.

A disputa entre Gleisi e a família Bolsonaro transformou o tarifaço em tema da eleição de 2026. Para o Paraná, entretanto, o teste imediato será econômico: ampliar as exceções antes da vigência, preservar contratos e fazer o crédito chegar às empresas que dependem do mercado americano.

O governo estadual também precisa atualizar e publicar o mapa dos municípios, empregos e setores expostos. O confronto eleitoral não pode esconder a conta que poderá chegar às fábricas paranaenses a partir de 22 de julho.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura da economia do Paraná, das relações entre Brasil e Estados Unidos e das eleições de 2026.

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