A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), repudiou em nota nesta quinta-feira (18) a tentativa do União Brasil de responsabilizar o governo federal pelas notícias que associam o presidente da legenda, Antonio Rueda, a investigações sobre o PCC.
Gleisi classificou a acusação como “infundada e leviana”.
Segundo a ministra, o governo não tem qualquer participação nas apurações que envolvem o dirigente do União.
“A direção do partido tem todo direito de decidir a saída de seus membros que exercem posições no governo federal. O que não pode é atribuir falsamente ao governo a responsabilidade por publicações que associam dirigente do partido a investigações sobre crimes. Isso não é verdade”, escreveu Gleisi em suas redes sociais.
Antonio Rueda, por sua vez, afirmou ser alvo de “ilações irresponsáveis e sem fundamento”.
O advogado e presidente do União Brasil disse que tomará medidas cabíveis para proteger sua imagem e a do partido.
Ele alegou que há “um pano de fundo político” no episódio, em meio às notícias que o associam, de forma indireta, à investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro para o PCC.
Reportagens do portal ICL, do UOL e do g1 revelaram o depoimento do piloto Mauro Mattosinho, que afirmou ter ouvido dentro da companhia aérea TAP que Rueda seria dono oculto de aeronaves usadas por suspeitos de envolvimento com a facção.
O dirigente, no entanto, não é formalmente investigado pela PF.
O caso estourou no mesmo dia em que o União Brasil determinou o desembarque imediato do governo Lula (PT).
A executiva da legenda aprovou resolução dando prazo de 24 horas para filiados entregarem cargos na administração federal sob pena de expulsão por infidelidade partidária.
O União controla o Ministério do Turismo, com Celso Sabino (PA), e mantém influência sobre as pastas da Integração e do Desenvolvimento Regional e das Comunicações, indicadas por Davi Alcolumbre (AP), presidente do Senado e um dos caciques da sigla.
A decisão de romper com o governo já vinha sendo gestada, mas a “gota d’água” teria ocorrido em agosto, quando Lula criticou Rueda em reunião ministerial e cobrou aliados de partidos de centro-direita a assumirem posição clara.
A nota do União Brasil também interpretou as notícias contra Rueda como tentativa de enfraquecer a legenda, que anunciou não apoiar a reeleição de Lula em 2026.
O partido tem como pré-candidato o governador Ronaldo Caiado (GO), mas setores próximos ao senador Ciro Nogueira (PP) defendem um acordo em torno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
A escalada de tensões entre o PT e o União Brasil é mais um capítulo da disputa pelo centro político com vistas a 2026.
Ao reagir, Gleisi expôs o risco de a crise de credibilidade de Rueda contaminar a federação União Progressista, recém-formada com o PP.
O caso também coloca em xeque a governabilidade, já que a saída do União amplia a pressão do Centrão sobre o Palácio do Planalto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




