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Gleisi defende Janja: machismo e misoginia marcam ataques à primeira-dama

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A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), veio a público nesta sexta-feira (27) em defesa da primeira-dama Janja Lula da Silva. Em uma declaração contundente nas redes sociais, Gleisi apontou que as críticas direcionadas à esposa do presidente Lula são movidas por machismo e misoginia, características persistentes em setores da sociedade e da mídia tradicional.

A reação da deputada ocorre após a divulgação de uma pesquisa da Quaest, que revela uma queda significativa na avaliação positiva de Janja desde fevereiro de 2023. Naquele período, 41% dos entrevistados aprovavam sua atuação. Esse número despencou para 28% em dezembro do ano passado e agora está em apenas 22%. A reprovação, por outro lado, subiu de 19% para 28%.

Os números acendem um alerta no Palácio do Planalto, onde há preocupação de que essa queda de popularidade possa respingar diretamente no presidente Lula. Tradicionalmente, a figura da primeira-dama carrega uma simbologia forte, e o desgaste público de Janja pode gerar impactos indiretos no núcleo do governo.

Machismo estrutural e ataques seletivos

Gleisi Hoffmann destacou que Janja tem um papel ativo em causas essenciais, como a defesa dos direitos das mulheres, combate à violência de gênero, promoção da cultura brasileira e proteção dos direitos dos animais.

“Qual é o problema em ter assessoria e condições de trabalho para cumprir o seu papel?”, questionou a deputada em tom direto. Gleisi se referiu a uma matéria do Estadão, que registrou 12 pessoas à disposição da primeria-dama ao custo de R$ 160 mil ao mês.

O argumento é respaldado por práticas comuns em outros países, onde as primeiras-damas têm estrutura para desenvolver projetos de relevância social. No Brasil, no entanto, a exposição de Janja tem sido frequentemente distorcida por narrativas que reforçam estereótipos de gênero e desprezam seu protagonismo.

Desgaste na opinião pública

A pesquisa revela que a avaliação positiva de Janja caiu em todas as regiões do país. No Nordeste, onde Lula mantém uma base eleitoral sólida, a aprovação da primeira-dama despencou de 56% para 29%.

Entre as mulheres, a queda foi de 46% para 24%, enquanto, entre os mais jovens, o recuo foi de 41% para apenas 18%. O levantamento também destaca a diferença de percepção entre católicos e evangélicos: entre os primeiros, a reprovação é de 26%, enquanto entre os segundos, chega a 34%.

Mesmo entre os eleitores de Lula, que tradicionalmente demonstram apoio à família presidencial, houve uma queda expressiva de 66% para 36% na aprovação.

O “fogo amigo” e a mídia corporativa

Nos corredores do poder, fala-se em “fogo amigo” contra Janja, sugerindo que parte das críticas vem de dentro do próprio campo político aliado ao governo. Além disso, há o peso da velha mídia corporativa, que, segundo Gleisi, alimenta uma cobertura enviesada e seletiva contra a primeira-dama.

A relação de Janja com a comunicação do governo também é apontada como um ponto sensível. Ela já demonstrou interesse em influenciar essa área estratégica, algo que, para alguns analistas políticos, gerou desconforto entre assessores e lideranças.

O peso simbólico de Janja

Janja Lula da Silva não é uma primeira-dama tradicional. Socióloga, militante ativa e com personalidade forte, ela rompe com o estereótipo passivo atribuído historicamente a mulheres nesse papel. Seu ativismo público, no entanto, gera resistência tanto na oposição quanto entre setores mais conservadores da sociedade.

A defesa pública de Gleisi Hoffmann, portanto, não é apenas uma demonstração de solidariedade pessoal, mas também um ato político. A mensagem é clara: os ataques a Janja não são apenas sobre ela, mas sobre todas as mulheres que ousam ocupar espaços de poder e influência.

O episódio reflete um problema estrutural no Brasil, onde o machismo e a misoginia continuam a ser ferramentas utilizadas para deslegitimar mulheres em posições de destaque. O desafio, agora, é equilibrar a imagem de Janja com ações concretas que reforcem seu papel institucional e seu compromisso com as causas que defende.

Enquanto isso, o governo Lula segue atento ao impacto desse cenário, ciente de que a figura da primeira-dama, goste-se ou não, continuará no centro das atenções. Como destaca o Blog do Esmael, Janja representa não apenas uma figura simbólica, mas também uma voz ativa em causas sociais relevantes, o que incomoda setores conservadores e expõe a persistência do machismo estrutural no debate público brasileiro.

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