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A campanha presidencial conservadora ganhou contornos dramáticos e de forte apelo à segurança pública nesta terça-feira (18), em Belo Horizonte (MG). O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), realizou uma caminhada pelas ruas da capital mineira vestindo um ostensivo colete à prova de balas. Segundo o próprio parlamentar, a medida de segurança extrema foi adotada após sua equipe de inteligência mapear e documentar mais de 1.800 ameaças de morte dirigidas a ele desde a abertura oficial do período de propaganda eleitoral de rua.
A caminhada, que reuniu milhares de apoiadores, foi blindada por um forte aparato de segurança privada e agentes da Polícia Federal. No entanto, mais do que o temor físico, o palanque do PL na capital mineira utilizou o episódio para inflamar a militância e lançar a principal promessa de campanha da chapa: o enfraquecimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
A promessa de Nikolas: Impeachment de Alexandre de Moraes na pauta do Senado
Dividindo o palanque com Flávio Bolsonaro e com o líder empresarial Flávio Roscoe, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) canalizou a indignação da militância e verbalizou a estratégia central da direita para o próximo ciclo político. Em um discurso inflamado, Nikolas prometeu que o principal objetivo da coligação na disputa pelas duas vagas em cada estado para o Senado Federal é garantir uma maioria conservadora e reformista de 3/5 da Casa Alta do Congresso.
De acordo com o parlamentar, a conquista dessa maioria absoluta terá endereço certo: abrir e votar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós precisamos de senadores corajosos para reestabelecer o equilíbrio de forças no Brasil. Não adianta apenas eleger o presidente se não tivermos a maioria no Senado para colocar limites nos abusos de poder e pautar o impeachment que o povo brasileiro clama nas ruas”, discursou Nikolas Ferreira sob aplausos calorosos.
A tese da perseguição e a segurança pública como motor de votos
O uso do colete balístico por Flávio Bolsonaro e as falas duras contra o STF desenham a estratégia nacional da campanha do PL para contrapor a imagem de favoritismo do presidente Lula nas pesquisas nacionais. Ao focar no binômio “ameaça à segurança pública” e “perseguição institucional”, o bolsonarismo tenta reavivar o sentimento antissistema que marcou o pleito de 2018.
A defesa das forças de segurança, o combate endurecido às facções criminosas e as críticas sistemáticas à condução das investigações judiciais em Brasília são apresentadas não apenas como propostas de governo, mas como uma cruzada pessoal pela sobrevivência do próprio grupo político.
A participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também foi confirmada para os próximos dias de caminhada de Flávio, selando a reaproximação das principais alas do PL após as divergências registradas na pré-campanha. A direita aposta todas as suas fichas na tese de que a mobilização popular nas ruas será capaz de quebrar as amarras jurídicas e impor uma nova realidade nas urnas de outubro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




