O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), líder do partido na Câmara, usou suas redes sociais para criticar duramente o governo Lula e o jornal Folha de S.Paulo. O parlamentar reagiu a uma matéria que aponta supostas irregularidades em repasses de R$ 12,8 milhões ao Instituto do Câncer de Londrina, entidade que tem seu sogro como membro do conselho deliberativo. As acusações constam de um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), que questiona a legalidade das transferências realizadas entre 2019 e 2022.
Segundo a CGU, o instituto recebeu recursos de emendas parlamentares, incluindo do próprio Filipe Barros, enquanto o sogro do deputado ocupava funções de direção na entidade. A legislação brasileira proíbe parcerias entre o poder público e organizações geridas por parentes de parlamentares. O relatório também aponta falta de transparência na execução dos recursos e ausência de chamada pública para firmar os convênios.
Em um vídeo publicado em suas redes, Barros chamou as acusações de “fake news” e atacou a CGU e o governo Lula. Ele defendeu o hospital, afirmando que a entidade tem longa trajetória no atendimento oncológico e recebe apoio de quase todos os deputados do Paraná devido à sua importância para o SUS.
Barros também direcionou críticas ao ministro da CGU, Vinícius Carvalho, alegando conflito de interesses por sua atuação passada como advogado da Odebrecht. “Quem deve explicações à sociedade é o ministro da CGU”, afirmou o deputado.
A matéria da Folha de S.Paulo detalha que o relatório da CGU identificou repasses feitos sem critérios de impessoalidade e com potencial violação aos princípios da moralidade e eficiência administrativa. Além disso, os repasses foram suspensos por decisão do ministro Flávio Dino, do STF, até que as supostas irregularidades sejam esclarecidas.
O episódio é mais um capítulo da polarização política que domina o cenário nacional. Filipe Barros, conhecido por seu alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), usa o caso para reforçar sua oposição ao governo federal. Por outro lado, a Folha jura que sua denúncia lança luz sobre possíveis práticas inadequadas na destinação de emendas parlamentares.
Enquanto isso, a população paranaense, que depende do atendimento oferecido pelo Instituto do Câncer de Londrina, acompanha apreensiva os desdobramentos do caso. A suspensão dos repasses federais pode comprometer serviços essenciais para milhares de pacientes do SUS.
O Instituto do Câncer de Londrina negou irregularidades e destacou que sua atuação é auditada pelo SUS. Em nota, a entidade afirmou que o apoio parlamentar, independente de partido ou ideologia, é essencial para a manutenção de suas atividades.
O embate entre Filipe Barros, o governo Lula e a imprensa coloca em evidência um tema sensível: a transparência na gestão de recursos públicos. Enquanto as acusações são apuradas, a prioridade deve ser garantir que os serviços de saúde não sejam interrompidos, preservando o atendimento à população que mais precisa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




