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O impasse na guerra entre Rússia e Ucrânia ganha um novo e perigoso capítulo com o ultimato dado pelos Estados Unidos. Em Paris, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que o governo Trump pode abandonar os esforços para mediar um acordo de paz “dentro de alguns dias” — uma guinada dramática na política externa dos EUA.
Rubio foi direto ao afirmar: “Esta guerra não é nossa. Nós não a começamos.” Com Zelensky enfraquecido e sem garantias de adesão russa à proposta de cessar-fogo, os EUA sinalizam que vão jogar a toalha.
Trump ameaça “seguir em frente” e pressiona Zelensky
Desde que reassumiu a Casa Branca em janeiro, Donald Trump tem mantido uma postura ambígua: pressiona a Ucrânia, enquanto poupa o Kremlin. O cessar-fogo proposto em março foi aceito por Kiev, mas rejeitado por Moscou, que intensificou bombardeios contra civis em Sumy e Kharkiv nos últimos dias.
Trump, segundo Rubio, tem “muitas outras prioridades”. A tradução política é clara: sem avanço diplomático, os EUA estão prontos para virar a página — mesmo que isso signifique congelar o conflito com a Rússia mantendo o que conquistou no campo de batalha.

“Ajuda militar deve ser paga”, diz Casa Branca; Ucrânia resiste
Enquanto se discute paz, a Casa Branca tenta costurar um acordo paralelo com Kiev envolvendo minerais raros e reconstrução. A proposta inclui a criação de um fundo de investimento e — de forma controversa — a exigência de que a Ucrânia reembolse a assistência militar anterior.
Zelensky rejeita essa condição. “Não é justo transformar doação em dívida”, argumenta. A exigência americana pode ser vista como chantagem disfarçada de pragmatismo geopolítico, em um momento de crise global por minerais estratégicos e escassez industrial nos EUA.
Nova “paz congelada”: manter território ocupado e barrar OTAN
O novo plano de paz dos EUA congela a guerra ao longo da atual linha de frente, permite que a Rússia mantenha os territórios ocupados e barra a entrada da Ucrânia na OTAN. Seria o sepultamento definitivo das aspirações euro-atlânticas de Kiev — e a consagração do poder de veto russo sobre sua antiga república soviética.
Se aprovado, o acordo teria sabor amargo para os ucranianos, mas agradaria o establishment trumpista, que deseja pacificar a guerra sem “perder” para Putin nem gastar mais um centavo em armamento.
Escalada militar russa e silêncio de Washington

Enquanto isso, mísseis russos continuam a cair. Somente nos últimos dias, Kharkiv, Sumy, Dnipro e Donetsk foram alvos de ataques brutais. Mais de 100 civis foram mortos ou feridos. Munições de fragmentação e mísseis balísticos devastam escolas, hospitais e centros residenciais –relatam os ucranianos.
E o governo Trump? Silencia, reclama Kiev, enquanto negocia com Putin pelas mãos do enviado Steve Witkoff. A retórica oficial repete falas do Kremlin e evita qualquer condenação à Rússia.
O que você precisa saber sobre a crise EUA-Ucrânia
Os EUA realmente vão abandonar a Ucrânia?
Rubio disse que o governo Trump “pode desistir do acordo de paz em poucos dias” se não houver avanço. Isso inclui congelamento da guerra e cortes no apoio militar.
O que o novo acordo dos EUA com a Ucrânia propõe?
Criação de um fundo de reconstrução, fornecimento de minerais raros e exigência de reembolso pela ajuda militar passada — condição que Kiev resiste.
A Rússia aceita o cessar-fogo proposto?
Não. O Kremlin rejeitou a proposta americana de trégua de 30 dias, alegando que ela não garante os interesses estratégicos de Moscou.
O novo acordo impediria a entrada da Ucrânia na OTAN?
Sim. A cláusula de neutralidade é central no plano de Washington para satisfazer Moscou e congelar o conflito com perdas territoriais para Kiev.
Qual o papel de Trump nessas negociações?
Trump impõe uma visão transacional: menos envolvimento militar, mais retorno econômico. Seu foco são os minerais estratégicos e a contenção da China, não o destino da Ucrânia.
Trump sacrifica a Ucrânia no altar do realismo geopolítico

O aviso de Rubio em Paris marca o início de uma nova era no conflito: a guerra da Ucrânia deixou de ser uma prioridade estratégica para os EUA. Sob Trump, o foco mudou. Não há mais discursos idealistas sobre democracia versus autoritarismo, mas cálculos frios sobre influência global, recursos naturais e economia de guerra.
A paz que se desenha — se é que se pode chamar assim — é imposta, desigual e com gosto de rendição. Os EUA não estão mais dispostos a bancar o protagonismo ucraniano. Ao contrário, querem lucrar com sua reconstrução e limitar os danos geopolíticos de uma guerra que já não consideram sua.
O acordo de paz na Ucrânia virou um ativo negocial — e Kiev virou um peão no jogo das potências.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




