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Trump pressiona Zelensky na Casa Branca com Europa em peso

Trump pressionou Vladimir Zelensky, nesta segunda-feira (18), na Casa Branca, a abrir mão da Crimeia, do Donbas e da entrada da Ucrânia na Otan, mas o presidente ucraniano apareceu ladeado por líderes da União Europeia para reforçar apoio político e militar contra Moscou.

Zelensky chega com aliados europeus

Zelensky desembarcou em Washington acompanhado por Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha), Keir Starmer (Reino Unido), Giorgia Meloni (Itália), Alexander Stubb (Finlândia), além de Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

O gesto europeu, montado às pressas no fim de semana, buscou equilibrar a pressão de Donald Trump e oferecer garantias adicionais de segurança a Kiev.

Diplomatas descreveram “pânico” semelhante ao clima pré-guerra do Iraque em 2003.

A tese de Trump

O presidente dos EUA insiste que a Ucrânia aceite uma “paz congelada”, cedendo não só a Crimeia como também o restante do Donbas a Moscou.

Trump afirmou que Kiev poderia “acabar com a guerra quase imediatamente, se quiser”, retomando o discurso de barganha territorial.

Três dias antes, em cúpula no Alasca, Trump endossara o plano de Putin de saltar negociações de cessar-fogo e ir direto para um acordo de paz baseado em concessões territoriais.

Resposta firme de Zelensky

Zelensky reafirmou que não há negociação possível com cessão de território, lembrando que a Constituição ucraniana exige referendo para alterar fronteiras.

Ele defendeu um pacto de segurança duradouro, possivelmente com presença internacional, para evitar novas ofensivas russas.

Nas redes, destacou coordenação com líderes europeus e reforçou que a prioridade é um cessar-fogo real, não uma paz frágil. “A guerra só terminará com garantias confiáveis, não com novas ameaças”, escreveu.

Bastidores e tensão

Além de Trump e Zelensky, participaram JD Vance (vice-presidente), Marco Rubio (secretário de Estado), Susie Wiles (chefe de gabinete) e os enviados especiais Steve Witkoff e Keith Kellogg.

A reunião foi antecedida por ataques russos em Kharkiv e Zaporizhzhia, que mataram ao menos 10 pessoas, incluindo uma criança.

Autoridades ucranianas acusaram Moscou de agir para enfraquecer Kiev às vésperas do encontro.

Em Washington, o clima era de teste para evitar repetição do último encontro entre Trump e Zelensky, em fevereiro, quando o ucraniano foi duramente repreendido e saiu humilhado do Salão Oval.

Fragilidade diplomática

Trump tenta impor um roteiro de concessões, mas Zelensky, sustentado pela Europa, mostra que não aceitará paz sob chantagem.

O encontro expõe a fragilidade de uma política externa ocidental volúvel e aponta para um redesenho do eixo transatlântico, com Moscou sob controle.

Enquanto Trump acena a Putin com acordos rápidos, a realidade no campo de batalha, mais de 20% da Ucrânia sob ocupação russa e novos mortos em Kharkiv e Zaporizhzhia, evidencia que a guerra segue longe do fim.

Kiev resiste a Trump

A pressão de Trump sobre Zelensky marca um divisor de águas: ou os EUA impõem sua linha de concessões a Moscou, ou a Europa assume protagonismo na defesa da Ucrânia.

Pela narrativa da imprensa ocidental, Kiev resiste porque sabe que a paz sem soberania é só preâmbulo de novas agressões.

Leia no Blog do Esmael para acompanhar bastidores da diplomacia e da guerra.

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